Início Rio de Janeiro Engano custou 31 dias de prisão a um cozinheiro da Barra
Rio de Janeiro

Engano custou 31 dias de prisão a um cozinheiro da Barra

RIO - Um cozinheiro de 26 anos ficou preso por engano durante um mês, acusado de participar da guerra do tráfico na Rocinha. Morador da comunidade, ele trabalha desde 2014 em um restaurante na Barra da Tijuca, mas foi detido em 22 de outubro, semanas após o início da disputa entre facções pelo controle de bocas de fumo da favela. O homem voltava para casa com o uniforme do estabelecimento numa mochila quando foi abordado por policiais militares — que constataram que havia um mandado de prisão temporária contra ele. A ordem foi expedida pela Justiça com base numa investigação da 11ª DP (Rocinha) que identificou mais de 60 participantes de uma invasão da comunidade.

No inquérito, três testemunhas reconheceram, por uma fotografia, o cozinheiro como traficante. Agentes da 11ª DP tinham seu retrato porque investigavam uma imagem publicada em uma rede social na qual ele aparece fazendo o sinal de uma facção.

O cozinheiro só foi colocado em liberdade após um advogado apresentar na 11ª DP e no Ministério Público sua carteira de trabalho e uma série de folhas de ponto, incluindo a da véspera da invasão, além de contracheques. Após saber da atividade profissional do preso, o delegado Antônio Ricardo mandou agentes ao restaurante. Lá, foram informados pelo chefe do funcionário que ele era “saladeiro” e não costumava faltar.

Com base nos documentos e nos relatos, o delegado não pediu a prisão preventiva do cozinheiro. Após 31 dias na Penitenciária Jonas Lopes, no Complexo de Gericinó, ele foi libertado.

— Foi um mês de muito sofrimento. Na cadeia, só pensava que ia perder meu emprego, que não conseguiria mais trabalhar — contou o cozinheiro.

Atualmente, o homem sequer é investigado: a delegacia encerrou o inquérito contra ele após Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, chefe do tráfico na favela, e Alberto Ribeiro Sant'anna, o Cachorrão, número dois da quadrilha, afirmarem que o cozinheiro não fazia parte do bando.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?