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Empresário do Los Hermanos e do Rappa quer divulgar Monobloco no exterior

RIO - Simon Fuller é um inglês não muito ligado a carnaval, que sempre aproveita a data para cair fora do Rio. Mas calhou, como empresário de Pedro Luís e a Parede, de ser um dos fundadores do Monobloco. No primeiro desfile do grupo, criado em 2000, viu o trio se atrasar na chegada ao Jardim Botânico e, do alto com a banda, precisou levantar os cabos de energia para que o carro pudesse seguir. Mas a multidão era tanta que o cortejo não conseguiu avançar muito, ficando parado ali perto do Baixo Gávea.

— Foi terror e pânico — diz Simon, de 49 anos, repetindo a expressão que usa para várias situações, num português perfeito, no sofá de casa, no Alto Leblon, vestindo camiseta, bermuda e Havaianas (tem gente que trabalha com Simon e que nunca o viu de sapatos).

É justo da folia carioca que ele tem uma das lembranças mais legais da sua carreira nos bastidores do showbiz. Empresário também do Los Hermanos há 17 anos, Simon entrou para o ramo com apenas 13, por acaso. Ele vivia em Londres quando, aos 12, perdeu a mãe. O pai morava no Rio — era presidente de uma empresa inglesa de computadores —, e ele acabou vindo morar aqui, em Copacabana. Uma conversa de meia hora num Natal com um primo da madrasta definiria seu destino.

Nos primeiros dias de janeiro, o tal primo, que trabalhava na Rádio Cidade, ligou convidando Simon para dar aulas de inglês lá dentro. O menino saía da escola e ia direto para a rádio, onde ficava até 13 horas por dia. Chegou a ser contratado, aos 16, como coordenador de promoção. Após uma temporada em Miami, onde estudou produção de rádio e TV, foi parar na EMI, aos 17 anos, onde chegou a diretor de internacional. Aos 23 anos, passou a ocupar o cargo na Warner. Conheceu mil bandas e artistas, como Os Paralamas, banda da qual foi produtor.

Dois anos e meio depois, passou a produzir grandes shows de astros internacionais, entre eles Michael Jackson, Paul McCartney e Guns N’Roses. A experiência com Axl Rose foi “terror e pânico”:

— Foi a viagem em que ele arremessou uma cadeira nas pessoas no Hotel Maksoud (em São Paulo). Num dos shows, pegou o microfone e jogou, acertando uma menina. Aí ele me chamou ao palco para falar com o público, para acalmar as pessoas. E tenho horror de palco. Sou — lembra ele, que também foi chamado por Seal, de quem virou amigo, em plena Apoteose, para traduzir à multidão uma declaração de amor ao Rio.

Um dos sócios da produtora Kappamakki (nome do enrolado japonês com pepino), que também cuida do Rappa, ele se dedica agora mais ao Monobloco: quer levar o grupo, que já desfila em São Paulo e este ano estreia no carnaval de Belo Horizonte, para outros países, criando, inclusive, oficinas de batuqueiros lá fora.

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