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Com salário atrasado, servidores apelam para ‘bicos’

RIO - As contas chegam em dia. Já o salário, desde outubro, está parcelado e atrasado. Diante desse quadro, que começou a se desenhar com as sucessivas mudanças no calendário de pagamento ao longo do ano passado, alguns servidores, principalmente aposentados, resolveram lançar mão de “bicos” para amenizar o drama financeiro que estão vivendo. São pessoas que cozinham, vendem produtos e consertam roupas e objetos para terem algum dinheiro na conta.

Aposentada pelo Centro de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Rio (Proderj), Moema do Carmo, de 54 anos, decidiu apostar no antigo sonho de trabalhar com confeitaria quando os problemas de parcelamento dos salários ainda se desenhavam, no início do ano passado. Hoje, ela prepara doces e chocolates decorados e já chegou a ganhar R$ 2 mil num mês, o que ameniza a sensação de receber o salário “pingado”. Ela lamenta que, sem o 13º e sem saber exatamente quando terá direito ao benefício, não consegue investir na nova carreira. Com o dinheiro contado, economiza até o material usado para os doces:

— A renda dos doces sempre me ajuda. Semana passada demorou muito para cair (o salário). Parece pouco, mas, com o que eu vendo, eu pago minha luz, compro comida. É difícil não ficar no vermelho, mas eu tenho administrado.

Frequentadora de manifestações de servidores, ela diz que só não vende os produtos no local porque chocolate derrete com o calor das ruas. Com o que aprendeu pela internet e com amigas doceiras, Moema pensa em organizar oficinas de confeitaria para outros aposentados do estado. E, quem sabe, ajudá-los a ganhar um dinheiro extra:

— O que estão fazendo com os servidores é errado. Tem gente morrendo de depressão.

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