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Dez PMs mortos na Baixada podem ter sido executados

Dos cem PMs mortos este ano no estado, quase um terço era da Baixada Fluminense. Levantamento feito pela Delegacia de Homicídios da região (DHBF) revela que, dos 29 casos que investiga, 51% (15) estão elucidados, uma taxa superior a média de resolução da Polícia Civil, de 20%. E dos 29 crimes, dez têm a execução como principal linha de investigação, como o assassinato anteontem do sargento Fábio José Cavalcante, o centésimo policial morto em 2017, que levou 11 tiros, quatro deles no rosto.

Uma testemunha afirmou que o sargento mal saiu do carro, na porta da casa da família, por volta das 9h, no Largo do Guedes, em São João de Meriti, quando cerca de seis homens em dois carros pararam bruscamente e começaram a atirar cerca de 30 vezes com fuzis e pistolas.

Depois que o sargento caiu no chão, dois homens recolheram documentos, um colar de ouro, um anel dourado com a silhueta de São Jorge e a pistola do policial. Em meio à súplica do pai, que estava no bar em frente e assistiu a cena, para que não matassem o filho, um dos homens ainda descarregou o pente da arma do próprio PM no corpo inerte. O portal do Disque Denúncia oferece R$ 5 mil por informações que solucionem o caso.

Outro caso de execução foi o do cabo Daniel dos Santos e Silva, em Belford Roxo. O PM, que era lotado na UPP Rocinha, foi morto na comunidade Parque Roseiral onde entrou com amigos para tentar recuperar um balão. Lá, foi identificado como PM e acabou morto com vários disparos. As prisões dos acusados já foram decretadas pela Justiça.

O assassinato do sargento Fábio foi a quarta morte de PM em São João de Meriti, mesmo número de Magé. Duque de Caxias e Nova Iguaçu tiveram, cada uma, sete policiais militares assassinados. Nilópolis, Japeri e Belford Roxo tiveram, cada um, três crimes desse tipo. E Guapimirim, um. Três dos casos não estão sendo investigados pela DHBF, segundo o titular da especializada, delegado Giniton Lages.

Dos casos que ocorreram entre o dia 1º de janeiro até anteontem, a DHBF informou que 15 foram relatados, sete têm investigações em andamento, seis foram enviados ao Ministério Público e um foi devolvido pelo Tribunal de Justiça do Rio para novas investigações. Não foi informado o andamento das investigações de outros três casos de mortes de PMs na Baixada, levantados pela reportagem.

As investigações da especializada levaram a prisões. Marival Matias Chaves, conhecido como Buiu, é apontado pela Polícia Militar como um dos chefes do tráfico de drogas nas comunidades do Orfanato, de Santa Amélia, de Delamare e de Beira Rio, em Japeri. Ele também é acusado de ter envolvimento na morte do soldado Eli Barbosa dos Santos, em Santa Amélia. Testemunhas afirmam, em depoimentos prestados na especializada, que, na ocasião, o PM estava à paisana e buscaria a mulher e os dois filhos na casa da cunhada, quando foi interceptado por bandidos. Cinco tiros atingiram o policial, três na cabeça, um na barriga e um na perna. Ele foi encaminhado à Policlínica de Japeri, mas não resistiu aos ferimentos.

Entre os 32 mortos na região, 21 estavam de folga, oito em serviço e três reformados. Um dos mortos durante o trabalho foi o sargento Hélio Cardoso Fonseca, do dia 7 de julho. Ele estava em patrulhamento próximo à estação de trem de Piabetá, em Magé, quando foi atingido na cabeça. O parceiro dele só sobreviveu por causa do colete. Na mesma madrugada, Gustavo Santos Sousa foi preso por policiais da DHBF acusado do crime. Ele é suspeito de envolvimento em outros crimes, inclusive na morte de um policial militar, no ano passado.

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