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Depois de arrastões, PM promete reforçar policiamento em Santa Teresa

RIO - Alvo de uma sequência de arrastões no último mês, o bairro de Santa Teresa, na região central do Rio e um dos mais charmosos da cidade, vai ter seu policiamento ostensivo reforçado pela Polícia Militar. A promessa foi feita na tarde desta sexta-feira pelo tenente-coronel André Luiz Caetano Gomes, comandante do 5º BPM (Praça da Harmonia). O oficial revelou que haverá aumento no número de policiais patrulhando as ladeiras do bairro em carros e motocicletas, no horário mais crítico da segurança: das 18h até a meia noite. Como O GLOBO revelou, em 21 dias foram registrados sete arrastões em bares e restaurantes do bairro.

— O reforço já começou a ser aplicado no bairro. Deslocamos policiais em carros e também mandamos para lá duas duplas de policiais em motocicletas — afirmou Caetano.

O tenente-coronel disse que tem tentado contato com a associação de moradores do bairro para explicar o que tem feito feito, mas não tem obtido sucesso.

— A interação com os moradores de Santa Teresa é complicado. Há uma resistência da associação em nos receber para discutir a situação do policiamento do bairro — afirmou o tenente-coronel.

Estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP) atestam o aumento da violência em Santa Teresa. Em seis anos, o número de registros de roubos de rua subiu 174%. Passaram de 172 casos, entre janeiro e outubro de 2012, para 472, no mesmo período de 2017. Também cresceu a quantidade de veículos roubados: nos primeiros dez meses de 2012, segundo o ISP, o bairro registrou 36 casos, contra 129 este ano — um salto de 258,33%. Já os registros de assaltos em estabelecimentos comerciais aumentaram de seis para 21.

Comparando os primeiros dez meses de 2017 com o mesmo período de 2016, os roubos de rua subiram 21,34% em Santa Teresa. Houve ainda aumento de 16,22% nos casos de roubos de carro e de 31,25% nos assaltos a estabelecimentos comerciais. Os indicadores do ISP indicam ainda que o crescimento na quantidade de roubos contra lojas do bairro está na contramão de uma outra estatística deste tipo de crime: na média do estado, houve uma queda de 9,7%.

O delegado Robinson Gomes, titular da 7ª DP (Santa Teresa), disse que os criminosos que agem no bairro roubando estão identificados, mas admitiu que a crise financeira do estado tem atrapalhado e dificultado a ações de investigações.

— Temos 18 pessoas ligadas ao tráfico identificadas e indiciadas. Nove outras reconhecidas como autoras de roubos em Santa Teresa. Quase todos são moradores de favelas localizadas no bairro ou próximo. O problema é a falta de estrutura para cumprir os mandados de prisão. Precisamos ter um planejamento mínimo para agir — revelou.

O policial também admitiu que a delegacia de Santa Teresa só está aberta e funcionando por conta de doações de moradores e comerciantes.

— Não só Santa Teresa, mas vários bairros do Rio estão registrando aumento na violência e muito por conta da crise financeira que o estado atravessa. Então contamos com a ajuda de comerciantes para manter o mínimo de funcionamento — afirmou Robinson.

Pelo menos cinco adolescentes já foram identificados pela Polícia Civil depois de serem reconhecidos como autores de roubos no bairro. Eles seriam moradores de comunidades vizinhas. O GLOBO conseguiu o telefone de um deles e ligou para o número. Acabou falando com a mãe e com o irmão de um dos adolescentes.

— Por favor, deixe a gente em paz. Somos trabalhadores e eu não sei onde meu irmão está. Não ligue mais para esse número — pediu o irmão.

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