RIO — Com serviços paralisados desde o final de janeiro por causa da falta de pagamento de salários dos funcionários, o Rio Imagem, centro estadual de diagnóstico por imagens, localizado no Centro do Rio, pode ter fechado as portas de vez. Nesta terça-feira, todos os funcionários terceirizados da central de marcação de exames foram demitidos. Na semana passada, eles fizeram uma manifestação contra o atraso de dois meses no pagamento dos salários, vale-transporte e alimentação. Sem receber remuneração desde dezembro do ano passado, eles decidiram paralisar as atividades do maior centro público de exames do estado por uma semana até que a empresa Prol, que presta serviço ao estado, ou a secretaria de Saúde informasse um calendário de pagamentos.
De acordo com funcionários da empresa, além do atraso nos pagamentos de salários e dos benefícios, as condições de trabalho no Rio Imagem estavam precárias. Não havia insumos básicos para exames, faltava papel higiênico e até material para confeccionar os resultados dos exames realizados.
Em nota, a Prol confirmou que, nesta terça-feira, o aviso prévio dos funcionários que atuam no Centro de Diagnóstico por Imagem (Rio Imagem) está sendo entregue. “Além de não existir um contrato firmado desde novembro, a empresa não recebeu da Secretaria Estadual de Saúde (SES) os valores referentes à operação dos meses de novembro, dezembro e janeiro. Mesmo assim, a Prol efetuou o pagamento dos funcionários até novembro, além dos valores referentes ao décimo terceiro.” A Prol não informou quantos funcionários foram dispensados.
Inaugurado em novembro de 2011, o Rio Imagem tinha capacidade para realizar 800 exames por dia, 22 mil por mês, entre ressonância magnética, mamografia, tomografia, Raios X, ultrassonografia e ecocardiografias. Na época, o governo do Estado investiu R$ 33,5 milhões no novo centro de diagnóstico por imagem (R$ 25,5 na construção da unidade e R$ 8 milhões na compra de equipamentos). A obra foi realizada pela Empresa de Obras Públicas (Emop) numa área de 10 mil m2.
O contrato da Prol com a secretaria estadual de Saúde venceu no fim do ano passado. No dia 31 de outubro, a empresa informa que enviou um documento para a secretaria demonstrando interesse em prorrogar os serviços prestados em um ano.
Em nota, na semana passada o consórcio disse que "oficiou o interesse de continuidade a SES, enviando relatórios que comprovavam o desempenho operacional com o batimento das metas de produtividade em todos os anos e a aprovação popular de mais de 80% da população da qualidade dos serviços prestados. O ofício ainda colocava a intenção de manter os valores atuais praticados, o que traria economia a SES nesse momento de crise. Desde então aguardamos o retorno da SES mas ele não aconteceu".
Ainda de acordo com a empresa, "mesmo sem contrato, o Consórcio continuou prestando os serviços por se tratar de serviço essencial para a população. Infelizmente, após 87 dias, a falta da formalização contratual e consequentemente do pagamento trouxe grande insegurança aos funcionários e tornou inviável a continuidade da operação, o que resultou na paralisação dos funcionários (...)".
Procurada pelo GLOBO, a Secretaria Estadual de Saúde ainda não informou se outra empresa será contratada para atuar no local, nem se o Rio Imagem será reaberto.



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