RIO — A faculdade de Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) anunciou nesta sexta-feira (3) que vai paralisar atividades devido à crise que atinge a instituição. O curso é o último a entrar oficialmente em greve na universidade. Segundo o diretor da Escola de Medicina, Mário Fritsch, essa é a “pior crise” pela qual a universidade já passou. A decisão, segundo ele, se deve à precariedade das condições de trabalho e de aprendizado para os alunos. O professor citou as bolsas dos estudantes cotistas, que não são pagas desde novembro, e o fechamento do restaurante universitário devido à falta de repasses do governo:
— O que mais nos angustia é o sucateamento moral. Temos vários professores e alunos com dificuldades até psíquicas de manter as atividades. Fomos obrigados a suspender as atividades da faculdade de Medicina, que era a única da universidade que vinha mantendo as atividades de graduação.
De acordo com alunos e técnicos, salas do curso e laboratórios estão sem luz. Fritsch destaca que a situação vem “angustiando” professores.
— Temos professores que se sentem entristecidos e até envergonhados de passar por essa situação. Vimos tudo o que foi construído em décadas acabar em um ano.
O Hospital Pedro Ernesto tinha, em dezembro, apenas 70 dos seus quase 500 leitos funcionando, devido à falta de funcionários terceirizados e de materiais. Para Mário Fritsch, a paralisação do curso de medicina vai afetar a rotina do Hospital Universitário Pedro Ernesto, pois os internos que auxiliam as práticas médicas são estudantes da universidade.



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