RIO — Eles estavam desde o fim do ano passado longe das crianças. Sua criadora, a professora aposentada Ligia Grangeiro, de 76 anos, já estava preocupada. Achava que precisavam sair de casa para brincar. Mas o carnaval foi se aproximando. E uma amiga de Lígia a levou ao ensaio do bloco da Terreirada Cearense no início do mês. E foi nesse encontro que os bonecos da professora ganharam novamente vida. Filó, Alfini e Jandira estão se preparando para desfilar pela primeira vez no carnaval, do alto das pernas de pau do bloco que se apresenta sábado, a partir das 14h, na Quinta da Boa Vista, ao lado do circo do Marcos Frota.
Além deles, também vão participar da brincadeira de carnaval o Boitatá, o Boi e o Boizinho. Este último, a criançada poderá vestir e correr pelos gramados da antiga residência do rei. A arte de Lígia vai dar novas cores ao já colorido Terreirada, que ganhou o Prêmio Serpentina de Ouro na categoria fantasia em 2016.
A professora aposentada começou a fazer bonecos, em 1998, quando conheceu o grupo Carroça dos Mamulengos, uma trupe familiar de saltimbancos. Ela se apaixonou pela miota, um tipo de boneca de vestir desenvolvida pelo grupo e nunca mais parou de pesquisar e fazer bonecos de todos os formatos e tamanhos.
— A minha primeira boneca foi horrível, mas quando levei para a escola que trabalhava fez o maior sucesso. Desde então, não parei mais — conta. — Quando participei do ensaio do bloco, fiquei feliz porque achei um ótimo lugar para os meus bonecos voltarem a brincar. Um lugar comprometido em fazer um mundo melhor.
Raquel Potí, responsável pela ala de pernas de pau, planeja batizar na roda do bloco o boi, único boneco de Ligia ainda sem nome, e montar um espaço para crianças com os brinquedos também confecionados pela professora. Vai ter pés de lata, maculelê, roi-roi. Quem não conhece vai ter a chance de brincar como antigamente.
— São encontros como o da Dona Lígia que fazem o bloco — conta Potí.



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