Início Rio de Janeiro Análise: coletiva da intervenção revela a era da incerteza
Rio de Janeiro

Análise: coletiva da intervenção revela a era da incerteza

RIO — Onze dias após o presidente Michel Temer assinar o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, uma cortina de incerteza impede que se veja o que será a intervenção na prática, e suas possíveis consequências são pura especulação. Sabe-se pouco além de quem são os interventores.

A única novidade anunciada na coletiva de imprensa desta terça-feira é que o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) será o quartel-general da intervenção. Sobre os recursos que irão custear as operações, o general Walter Braga Netto disse que “ainda não temos informação de valores, porque nós mesmos ainda não fizemos esse levantamento”. Ele conta com os recursos já existentes da Secretaria de Segurança Pública, e espera que o governo do estado pague em dia seus policiais.

Apenas duas ações comandadas pelas forças de segurança foram feitas até o momento: uma operação na favela Kelson's e outra no presídio de Japeri, na Baixada Fluminense, palco de uma rebelião dias antes. Três mil militares foram empregados na Kelson's: nenhum fuzil foi apreendido. Na penitenciária, foram encontrados 48 celulares. Se essas ações servirão de modelo para o que virá, é uma incógnita. Caso o caminho seja esse, é difícil acreditar que o Rio estará melhor do que hoje no dia 1º de janeiro de 2019, quando os militares voltarem para a caserna.

No meio de mais uma coletiva em que nada foi dito, é preciso juntar fragmentos de discursos para que algo faça sentido. O general Braga Netto fala que “nossa intenção é fortalecer as corregedorias, para que o bom profissional seja valorizado, e o mau profissional, penalizado”. A pergunta era se a intervenção acabaria com a corrupção policial no Rio, um câncer na segurança pública do estado. Antes de responder com ar grave, virou o rosto para o lado e riu.

Decidida sem planejamento, a operação navega em dúvidas. Especialista em respostas vagas, Braga Netto afirma que será adotada “uma série de medidas para que a população se sinta mais segura”, mas não especificou nenhuma delas. No primeiro dia após o decreto presidencial ser assinado, um sábado de sol no Rio de Janeiro, o Comando Militar do Leste colocou um tanque do Exército na porta do Palácio Guanabara — cena que gerou mais sensação de espanto do que segurança. Até o momento, o objetivo da intervenção não está claro. Se é que já foi definido.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!