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Alunos de colégios cariocas fazem sucesso com saraus musicais

As notas escolares estão convivendo em perfeita harmonia com as musicais nos colégios do Rio, que vêm estimulando, cada vez mais, a realização de saraus entre seus alunos. De repente, a dupla caneta e caderno dá lugar ao binômio violão e microfone. Mesas e cadeiras se fundem para virar um palco improvisado. Os estudantes? Viram artistas. E atraem os, digamos, mais estabelecidos. Este mês, Moraes Moreira, por exemplo, fez um show de mais de uma hora na Escola Parque, na Gávea. Não cobrou nem um real, assim como Chico Chico, filho de Cássia Eller, e Matheus VK, o muso do carnaval de rua do Rio. Os três se revezaram num palco com 20 bandas, a maioria de estudantes e ex-alunos do colégio.

— Fiquei impressionado com a cultura de música brasileira daqueles jovens e com a forma como eles usam a música para se expressar. Isso é maravilhoso — diz Matheus.

O sarau da Escola Parque foi organizado por um grupo de alunos do 3º ano do ensino médio com o objetivo de arrecadar fundos para a colação de grau e incrementar a festa de formatura. Inspirados pelo sarau do ensino fundamental, que, no fim do ano passado, teve shows de Marisa Monte e Charles Gavin, pais de alunos, os jovens produtores resolveram fazer um evento profissional, aberto ao público. E conseguiram. Atraíram 650 pessoas. Cobrando entrada de R$ 15 e vendendo lanches rápidos, conseguiram R$ 14 mil.

—Ficou muito claro que esses meninos têm autonomia e responsabilidade. Eles deram um show de profissionalismo — elogia Luís Régis, coordenador do 3º ano da Escola Parque.

Agora, os alunos se preparam para produzir uma segunda edição do sarau, provavelmente no fim de agosto. Nomes como Clarice Falcão e Maria Gadú estão na mira dos jovens.

— No primeiro sarau, convidamos vários artistas que não puderam vir, mas que ficaram animados para um próximo. Queremos nos superar — diz Aisha Moura, de 17 anos, uma das organizadoras do evento.

Santo Inácio oferece instrumentos

No Colégio Santo Inácio, em Botafogo, de onde saíram ídolos como Cazuza e Edu Lobo, os saraus são igualmente encorajados. Os alunos tomam conta do palco e da plateia, sempre na hora do recreio ou no fim da aula. A escola oferece instrumentos como violão, cajón, piano e bateria para as performances. As produções também são caprichadas, com direito a cenário, figurino e iluminação; tudo pensado e executado pelos alunos.

— Eu fazia tudo, abria a cortina, recebia o público, ligava o som. E me dei conta de que os alunos podiam me ajudar. Então, resolvi capacitá-los em iluminação, som e produção artística — conta Estevão Moreira, assessor de cultura do Santo Inácio.

Alunos também mostram seus dotes artísticos em saraus na Escola Americana, na Gávea, e dão uma lição de solidariedade. Este mês, o dinheiro obtido com a venda de ingressos e quitutes foi doado ao Instituto Espírita Joanna de Angelis, na Barra.

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