O Boi Caprichoso abriu o Festival Folclórico de Parintins com uma ode afetiva às suas origens, transformando a arena do Bumbódromo em um manifesto de resistência, memórias e ancestralidade.

O espetáculo começou com um emocionante prólogo recitado por Edmundo Oran: "Se a dor da opressão, meu bioma chorar. Como um canto de resistência, eu escolhi brincar. Quando eu olho para cada rosto que de azul se ilumina. Vejo um brilho de esperança" .

Conduzindo a trilha sonora, o levantador Patrick Araújo iniciou a noite com o clássico "Chegada do Meu Boi" (2010), emendando com a nova "É Hoje" (2026) e o sucesso "Pode Avisar" (2023). Logo em seguida, o Amo do Boi, Caetano Medeiros, surgiu da alegoria de Figura Típica Regional "O Brincador de Boi-Bumbá de Parintins" — confeccionada pelos artistas Pedro e Paulo Pimentel em homenagem aos moradores dos bairros tradicionais da Francesa e Palmares. Na sequência do ato folclórico, o boi negro da estrela na testa, conduzido pelo tripa Edson Azevedo Junior, evoluiu sob os acordes de "Malúú Dúdùú" (2024).

O Amo do Boi, Caetano Medeiros, trouxe a força da tradição oral para a arena ao comandar o bloco de versos com precisão e imponência. Demonstrando o legítimo espírito de rivalidade do festival, o item destilou rimas afiadas e desafiadoras direcionadas ao "contrário", o Boi Garantido, provocando a torcida vermelha com inteligência e métrica perfeita. Por outro lado, Medeiros equilibrou a provocação com momentos de pura poesia e emoção, transformando seus versos em uma exaltação apaixonada à grandiosidade do Boi Caprichoso e ao orgulho da nação azul e branca.

Protagonista de um dos momentos mais aguardados da noite, Marciele Albuquerque surgiu de forma monumental da alegoria "Cobra Grande – A Deusa da Encantaria".

Representando uma das lendas amazônicas mais tradicionais do imaginário da floresta, a estrutura retratou a cobra como uma entidade mística das águas. Ao som da impactante toada "Deusa das Lutas", a Cunhã-Poranga dominou a arena com uma evolução avassaladora, unindo garra indígena e o conceito de valorização da ancestralidade.

Com a missão de defender o pavilhão do bumbá, Marcela Marialva fez sua entrada triunfal ao descer da alegoria de Figura Típica Regional. Na arena, a Porta-Estandarte entregou uma apresentação dinâmica, marcada por movimentos rápidos, precisos e de grande efeito visual. Marcela exibiu o estandarte azul com maestria, combinando técnica rigorosa e leveza em seus giros tradicionais.

Cleise Simas encantou o público ao surgir na arena vestindo uma indumentária inspirada em uma borboleta. A fantasia explorou uma rica paleta de cores e texturas, destacando-se sob a iluminação do Bumbódromo. Em sua evolução, a Rainha do Folclore soube traduzir a diversidade e a beleza das manifestações populares, esbanjando imponência e sincronia coreográfica.

Erick Beltrão consolidou-se como um dos grandes pontos altos da primeira noite do festival. O Pajé do Caprichoso impressionou o corpo de jurados e a arquibancada ao realizar um truque de transmutação em plena arena. A performance mística e teatral, que mesclou dança ritualística com efeitos visuais, elevou o clima de mistério e a espiritualidade indígena exigida no bloco de rituais do espetáculo.
A Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, protagonizou um momento de pura magia e ilusão de ótica que levou o público ao delírio no Bumbódromo. Valentina pareceu "flutuar" na arena ao lado do boi negro de Parintins. A performance uniu com perfeição a graciosidade e o bailado clássico exigidos pelo papel a um impacto visual surpreendente, consolidando-se como um dos grandes ápices da noite azulada.



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