O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, elogiou a indicação do titular da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). Valdemar disse nesta quarta-feira, 1, que o Senado Federal aprova a indicação formalizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Todas as informações que eu tenho do Jorge Messias são de que ele, lógico, é Lula fechado, é PT fechado, mas é um camarada de bem. Quando vi que o Lula ia indicar o (Cristiano) Zanin, por exemplo, eu achei bom", afirma o presidente do PL em entrevista ao Metrópoles .
Valdemar completa: "Ele não vai colocar um camarada do PL lá. Ele tem que colocar um dele. Então, ele que escolha o melhor. Eu acho que o Messias está entre os melhores que ele tem, na minha opinião".
O presidente do partido de Jair Bolosnaro (PL) também disse que não deve palpitar na posição dos senadores da sigla sobre a aprovação de Messias. Apesar dos elogios, ele lembrou que a maioria da sua bancada é contra o ministro da AGU.
"Mas não adianta ser contra porque eles têm maioria. Eles têm maioria no Senado. Têm maioria. Aprova. Pode escrever. Aprova. Eles não têm o que falar do Messias. Não estou defendendo o Messias, não", disse Valdemar.
A formalização do nome de Messias ocorre mais de quatro meses depois de Lula ter anunciado a escolha, em novembro do ano passado. Na reunião ministerial no Palácio do Planalto, Lula afirmou que tomaria a medida nesta terça-feira, 31. Por "questões burocráticas", porém, a indicação oficial ocorreu um dia depois.
O atraso ocorreu por causa da resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), à escolha feita por Lula. Alcolumbre tinha preferência pelo senador Rodrigo Pacheco para ocupar a vaga deixada em outubro do ano passado por Luís Roberto Barroso.
"Alcolumbre já provou que enfrenta as paradas", disse Valdemar sobre o impasse do presidente do Senado com Lula.
Lula considera o ministro da AGU leal e "maduro" para o STF, um nome que não representa nenhuma aposta de risco para o seu governo. Nos bastidores, Lula afirma ter se decepcionado com decisões de ministros que indicou no passado, como Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Joaquim Barbosa.
Na noite do último dia 24, Lula foi alertado por aliados do MDB que era melhor enviar a indicação de Messias o quanto antes, porque a tendência é que o ambiente no Congresso fique ainda mais conflagrado diante da provável delação premiada de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A expectativa é que o banqueiro aponte a mira para políticos influentes nos depoimentos.
A mesma avaliação foi feita dias antes a Lula pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA). O senador conversou com Lula acompanhado do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que tem articulado os votos para Messias na Casa.
O diagnóstico foi o de que a situação agora está melhor para a aprovação do nome de Messias à vaga ao Supremo, tanto na CCJ - onde ele precisará passar por sabatina - como no plenário do Senado. Mas, de acordo com aliados que conversaram com o presidente, é bom o governo não correr riscos.
Evangélico, Messias é diácono da Igreja Batista e tem 46 anos. De família humilde, aprendeu a frequentar cultos ainda pequeno, levado pela mãe, no Recife. Com essa credencial, Messias intensificou a mobilização para ajudar Lula a se aproximar do segmento religioso que, de acordo com pesquisas, ainda tem muitas resistências ao governo do PT.


