Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 26 Mar (Reuters) - O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para derrubar liminar concedida anteriormente pelo ministro André Mendonça para prorrogar por mais 120 dias os trabalhos da CPI mista do INSS, que tem investigado fraudes bilionárias em descontos de aposentados e pensionistas.
A determinação do plenário do STF é uma derrota para Mendonça, relator das investigações do INSS no tribunal e que na segunda-feira havia garantido direito a parlamentares da CPI de continuar as apurações da comissão de inquérito, prevista para encerrar no dia 28 de março.
Votaram nesse sentido até o momento os ministros Flávio Dino, que abriu a divergência, Alexandre de Moraes, Nunes Marques, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, que formou maioria. Foram contrários os ministros André Mendonça, relator do pedido, e Luiz Fux.
A decisão impede o avanço da CPI mista, que buscava investigar fraudes do INSS -- inclusive eventuais implicações de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva -- e as relações do liquidado Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro.
Preso preventivamente desde o mês passado, Vorcaro deve firmar uma delação premiada no STF com potencial de implicar autoridades dos Três Poderes.
Um dos votos mais eloquentes contra a prorrogação da CPI foi do decano Gilmar Mendes. Para ele, os parlamentares deveriam atuar como juízes e ilegalmente vazaram informações íntimas de Daniel Vorcaro com a então namorada Martha Graeff.
"Lamentável que isso tenha ocorrido, deplorável que isso tenha ocorrido, criminoso que isso tenha ocorrido", repudiou.
"Nenhuma dúvida de que a opção do vazamento foi consciente dessas pessoas", reclamou.
Mendonça havia dito que determinou a lacração e proibição do uso do material repassado pela CPI, com devolução dos autos.


