O ex-ministro da Casa Civil e senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT) afirmou nesta quinta-feira, 29, que a garantia do compromisso fiscal no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está no próprio presidente, e não em quem for escolhido para o Ministério da Fazenda. Em entrevista à GloboNews , Rui evitou comentar possíveis nomes para a equipe ministerial e defendeu que Lula combine equilíbrio das contas públicas, crescimento econômico e preservação dos programas sociais.
Questionado sobre a urgência da escolha para a Fazenda, Rui ponderou que ela não está necessariamente na definição do nome. "A garantia disso não é a pessoa que ele colocar na Fazenda, eu tenho uma opinião diferente. A garantia disso é o próprio presidente", afirmou.
O senador eleito defendeu a condução fiscal do terceiro mandato de Lula, citando o pagamento de precatórios, ajustes no orçamento e contingenciamentos realizados sem promover, segundo ele, um "tesouraço" nos programas sociais.
Rui também atribuiu o crescimento da dívida pública à elevação dos juros, e não a gastos excessivos do governo. Defendeu a redução das taxas e a ampliação dos investimentos como caminhos para diminuir proporcionalmente o endividamento. Segundo ele, Lula pretende elevar a taxa de investimento, que situou em 17%, para um patamar que poderia chegar a 20% ou 21%.
Alcolumbre e indulto à Bolsonaro
Questionado sobre uma suposta negociação de indulto ou anistia a Jair Bolsonaro (PL) em troca de apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à presidência do Senado, Rui Costa evitou antecipar seu voto. "Olha, eu não estou acompanhando essa negociação", afirmou.
O senador eleito defendeu que a escolha do comando da Casa não seja vinculada à discussão sobre penas e afirmou ser favorável ao distensionamento político. Para Rui, a polarização não deve ocupar o centro das discussões do Congresso nem do próximo governo.
O ex-ministro, então, direcionou sua resposta no sentido de que população espera soluções para problemas cotidianos, como segurança, transporte e saúde, em vez de discussões sobre eventuais crimes envolvendo a família Bolsonaro. "Quem cometeu o crime, que responda ao Ministério Público, responda à Justiça", afirmou, acrescentando que eventuais pedidos de redução de pena devem seguir as leis existentes.
Rui disse ainda que Lula aguarda a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Senado para criar o Ministério da Segurança Pública e ampliar a atuação federal no setor, em parceria com Estados e municípios. Também previu mais diálogo com setores produtivos e expansão de investimentos, concessões e parcerias em infraestrutura.
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