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Moro politiza fim de motim no CE e não vê 'radicalismo' mesmo após 242 assassinatos em 9 dias

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O ministro da Justiça, Sergio Moro, decidiu politizar o fim do motim de policiais militares do Ceará, ocorrido na noite de domingo (1º), após 13 dias de paralisação.

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Nas redes sociais, o ministro disse que "prevaleceu o bom senso", "sem radicalismos", mesmo após 241 pessoas terem sido assassinadas no estado durante nove dias de motim.

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"O governo federal esteve presente, desde o início, e fez tudo o que era possível dentro dos limites legais e do respeito à autonomia do estado. Prevaleceu o bom senso, sem radicalismos", afirmou.

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Ele também ressaltou que a crise na segurança pública "só foi resolvida pela ação do governo federal" e disse que ela foi solucionada "apesar dos Gomes", compartilhando um comentário do ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT).

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"Explorar politicamente o episódio, ofender policiais ou atacá-los fisicamente só atrapalharam. Apesar dos Gomes, a crise foi resolvida", afirmou o ministro.

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Durante o motim, o ex-governador do Ceará Cid Gomes (PDT) foi atingido por dois tiros quando tentou entrar com uma retroescavadeira em um batalhão tomado por policiais amotinados em Sobral (CE).

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Em mensagem, seu irmão Ciro disse que, no Ceará, manda a lei e chamou Moro de "capanga". O ministro reagiu à crítica e disse que "o governo federal não falta ao Ceará".

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O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), é aliado dos Gomes.

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Durante o motim, que teve início no dia 18, explodiram os homicídios no Ceará. De 19 a 27 de fevereiro, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, foram 241 assassinatos no estado, uma média de 26,7 por dia.

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Apesar de a paralisação ser ilegal, o presidente Jair Bolsonaro não criticou o movimento. Moro, por sua vez, reconheceu sua ilegalidade e defendeu que fosse interrompido.

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O motim foi encerrado após os policiais amotinados terem aceitado proposta apresentada por uma comissão formada por representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário do Ceará.

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O governo estadual se recusou a acatar a principal reivindicação do grupo, a anistia geral.

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Como reação ao motim, a gestão cearense suspendeu, por 120 dias, 230 policiais militares que estão sendo investigados pela participação no motim --eles têm que entregar armas e distintivos além de ficar de fora da folha salarial pelo período. 

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Essa suspensão permanece até que cada caso seja avaliado.

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Mesmo com a volta ao trabalho dos policias, a Assembleia Legislativa do Ceará deve votar nesta terça-feira (3) a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) proposta pelo governador que pretende proibir a anistia a militares envolvidos em movimentos ilegítimos de paralisação ou motim.

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