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Em reunião ministerial, Lula acusa Flávio de querer entregar Brasil para os EUA, diz Gleisi

Em reunião ministerial, Lula acusa Flávio de querer entregar Brasil para os EUA, diz Gleisi
Em reunião ministerial, Lula acusa Flávio de querer entregar Brasil para os EUA, diz Gleisi

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA, 31 Mar (Reuters) - Em sua última reunião com a equipe ministerial titular, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu o tom para a dura campanha eleitoral que vem pela frente e acusou seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de planejar entregar o Brasil para os Estados Unidos, caso seja eleito.

"Ele (Flávio) estava lá nos Estados Unidos. O presidente (Lula) só constatou, foi isso. Falou o que ele fez lá, ele foi lá se entregar para os Estados Unidos", disse a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

A reunião ministerial marcou a transição de governo, com a saída de ministros que vão concorrer nas próximas eleições e a entrada de substitutos -- de um modo geral, os secretários-executivos assumiram as pastas. Outros quatro ministros, segundo o presidente, devem sair até o final da semana.

Lula pediu a seus ministros que irão para a campanha que saiam para o embate, mostrem o que o governo fez e não fiquem na defensiva. O presidente citou outras ocasiões em que o governo ficou apenas respondendo acusações da oposição, e afirmou que é preciso controlar a narrativa.

"Ele pediu para que se falasse muito sobre as questões que o governo está entregando, sobre os novos posicionamentos. E que enfrentássemos os embates, que não deixasse que venha só do outro lado críticas, que a gente faça enfrentamento e a disputa política, ir para o ataque também. Até porque temos muito mais para falar, para entregar", contou Gleisi.

De acordo com uma fonte ouvida pela Reuters, Lula também mostrou preocupação com as eleições para o Senado, que vários de seus ministros vão disputar este ano, e chegou a dizer que se o outro lado vencer a maioria das vagas, a democracia no país corre grandes riscos.

A disputa pelo Senado deve ser uma das mais duras dessa eleição, depois da presidencial, com os dois lados visando uma maioria.

INFLAÇÃO

Lula ainda demonstrou preocupação com o preço do petróleo e o impacto da guerra no Irã na inflação de alimentos no país.

Segundo a fonte, o presidente criticou os ataques ao Irã e disse, mais uma vez, que o impacto será sentido principalmente pelos mais pobres, e afirmou que o governo tomou medidas mas terá que fazer novas ações para tentar controlar a inflação de alimentos.

COMUNICAÇÃO

Outro ponto de destaque na reunião ministerial foi a questão da comunicação de governo. O ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Sidônio Palmeira, foi cobrado quatro vezes pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, de que as pessoas precisam saber o que o governo está fazendo e que é preciso mostrar a comparação entre o que Lula fez e o que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez em quatro anos de mandato.

A fala de Sidônio não foi transmitida, mas segundo Gleisi, Sidônio ressaltou que a divulgação das ações do governo está sendo feita, mas que há limitações financeiras.

"Mas a partir da semana que vem vamos ter comerciais por Estado, por região, mostrando o que a gente fez em cada Estado, principais obras", contou a ministra.

Sidônio também disse que vem usando muito as redes sociais e pediu que os ministros falassem mais, que a divulgação não é apenas de mídia, mas também a fala, uma ação política para mostrar o que o governo fez e faz.

(Reportagem de Lisandra ParaguassuEdição de Alexandre Caverni)

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