Trio é preso por usar IA para falsificar biometrias de vítimas e comprar carros no Amazonas
Manaus/AM - A polícia prendeu três pessoas em São Paulo e Minas Gerais, suspeitas de aplicarem golpes em amazonenses e moradores de outros quatro estados falsificando a biometria das vítimas com o uso de Inteligência Artificial (IA) para adquirir frotas de veículos financiados em grandes concessionárias locais. Esse é o primeiro caso deste tipo de golpe registrado no Amazonas.
Em Ribeirão Preto (SP), foram presos um homem, de 38 anos, e uma mulher, de 32 anos. Já em Uberlândia (MG), foi presa temporariamente uma mulher, de 29 anos, que supostamente é integrante de uma facção criminosa que também atua no tráfico de drogas no Sudeste.
"A operação holograma decorre de uma investigação de aproximadamente dois meses, a partir de notícias que foram veiculadas na nossa unidade policial para algumas vítimas, que davam conta de terem sido surpreendidas com a informação de que veículos 0 km teriam sido financiados em quase toda sua totalidade. A partir de então sem o conhecimento dessas vítimas. A partir de então a equipe caiu em campo", explica o delegado Cícero Túlio.
O esquema consistia em fraudar os dados, informações pessoais e até a biometria das vítimas por meio da plataforma Gov.br. A técnica, conhecida como "plástica digital", se baseava em consistia em sobrepor os rostos das vítimas em vídeos e fotos usados nas confirmações de biometria facial durante os procedimentos de autorização de financiamentos.
"Eles acabavam coletando informações em bancos de dados abertos dessas vítimas, principalmente as fotografias. Com essas fotografias, em plataformas de inteligência artificial geravam hologramas para fins de clonar a biometria facial dessas pessoas. Escolhiam aquelas cessionárias que possibilitavam autorizar os financiamentos através de compras virtuais, onde para fins de passar para a autorização, era necessário fazer uma vídeo chamada, a fim de coletar a biometria facial desses criminosos. A partir de então, eles utilizando essas plataformas de clonagem de biometria facial, conseguiam essas autorizações, compravam esses veículos em sua totalidade totalmente financiados e posteriormente remetiam esses veículos para o estado de São Paulo, mais precisamente interior de São Paulo, lá na cidade de Ribeirão Preto, onde seguiam também com destino a Uberlândia e Minas Gerais", detalha.
Todos os envolvidos já possuem passagem pela polícia, inclusive por outros crimes. Nenhum deles teve o nome divulgado, mas o delegado destacou que a mulher de 26 anos, chamada apenas de Luana, já responde até por homicídio.
"Luana que reside em Uberlândia, já é alvo de uma operação que havia sido realizada pelos policiais de Minas Gerais no ano de 2016 em razão da prática de um homicídio tentado naquela oportunidade. Todos eles têm envolvimento e estão intimamente relacionados a esses crimes praticados aqui no estado do Amazonas e a gente não descarta inclusive a possibilidade deles estarem inclusive comprando esses veículos para viabilizar a remessa de materiais entorpecentes de forma ali acondicionada e velada nesses veículos".
Três carros foram recuperados e os presos foram encaminhados para audiências de custódia. Eles vão responder por estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos e falsidade ideológica. Durante os golpes, eles causaram prejuízos milionários, mas a polícia ainda está investigando o montante que eles obtido com o esquema.
"Pelo que foi levantado pela equipe de investigação, essa quadrilha já opera há bastante tempo. Inclusive, agora entrou no radar da polícia um outro suspeito que mantinha um relacionamento com a Luana, ele que já havia sido preso pelo menos oito vezes. E agora a gente vai também avaliar a participação dele em razão desse esquema criminoso, principalmente na qualidade ali de mentor e, com certeza, muito provavelmente, realizando as montagens e os furtos das biometrias faciais dessas pessoas", enfatizou.
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