Delegado diz que pai enganou filho no exterior com falso suicídio e ficou em buraco no Parque Mosaico
Manaus/AM - Detalhes revelados pelas forças de segurança do Amazonas expõem a frieza e a estratégia de Fernando Melo, preso na madrugada deste sábado (24), após uma caçada humana que mobilizou todo o sistema de segurança pública. O homem, que confessou informalmente ter matado o próprio filho de 3 anos, tentou manipular a família e as autoridades antes de se esconder em um buraco no meio da mata.
Segundo o delegado Adanor Porto, da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), o criminoso tentou criar uma narrativa de remorso para ganhar tempo. Logo após o crime, Fernando fez uma ligação de vídeo para um filho que mora no exterior.
Na chamada, ele exibia cortes nos braços e afirmava que tiraria a própria vida como forma de pedir perdão. No entanto, para a polícia, tudo não passava de encenação: "Fez cortes superficiais apenas para se passar por vítima para o filho que está longe, mas em nenhum momento teve a intenção real de se matar", afirmou o delegado.
A estratégia de fuga de Fernando foi ardilosa. Para escapar das equipes que cercavam uma área de mata equivalente a 111 campos de futebol, o suspeito cavou um buraco na terra.
O delegado Porto revelou que, em depoimento informal, o infrator confessou ter ouvido os policiais passarem a poucos metros de seu esconderijo subterrâneo enquanto ele permanecia enterrado na vegetação densa. "Ele agiu de forma estratégica para se movimentar dentro daquela região de igarapés e mata fechada", explicou a autoridade policial.
De alvo de buscas por cadáver a captura vivo
Inicialmente, baseada no relato do filho que mora fora do país, a polícia trabalhava com a hipótese de localizar um cadáver. Contudo, o rumo das buscas mudou quando adolescentes que tomavam banho em um igarapé na região do Parque Mosaico relataram ter visto um homem com as características de Fernando.
O relato dos jovens foi o divisor de águas que confirmou que o assassino estava vivo e se escondendo. A partir daí, o cerco foi intensificado com drones termais e cães farejadores.
O desfecho ocorreu na madrugada deste sábado. Debilitado pela fome, pela sede e pelo frio, além de apresentar tontura devido à perda de sangue dos ferimentos autoprovocados, Fernando decidiu deixar o buraco onde se escondia para tentar obter ajuda.
Ao sair da mata, ele deu de cara com uma viatura da Polícia Militar que realizava o patrulhamento fixo na área. Ao perceber a abordagem, ele se entregou.
"Um crime que choca quem é pai"
Visivelmente emocionado, o delegado Adanor Porto ressaltou o impacto psicológico do caso nas equipes de investigação. "É impossível não se envolver, sobretudo quando você é pai. Foi uma investigação difícil, mas a resposta para a sociedade e para a família precisava ser rápida", concluiu.
Fernando Melo, que se manteve em silêncio no depoimento oficial por orientação jurídica, responderá por infanticídio e ameaça no âmbito da violência doméstica.
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