Manaus/AM - A Polícia Civil do Amazonas revelou detalhes chocantes, nesta quarta-feira (12) de um caso de estupro de vulnerável e casamento infantil em uma comunidade ribeirinha de Manacapuru, Amazonas, destacando a extrema vulnerabilidade da vítima e a conivência criminosa do pai. A operação, realizada em parceria com o Conselho Tutelar, culminou na prisão do companheiro de 33 anos e do genitor da criança. A investigação apontou que a menina, de apenas 11 anos, vivia em uma união marital que o pai não só permitiu, como ativamente encorajou, aceitando que o casal dividisse a mesma rede no único cômodo da casa.
A denúncia levou as autoridades à Comunidade Ubin, onde a criança vivia sob o mesmo teto que o homem, uma situação que configura o crime hediondo de estupro de vulnerável continuado. A delegada Dra. Joyce Coelho, titular da DEPCA de Manacapuru, confirmou que a união durava sete meses, o que significa que a menina tinha apenas 10 anos de idade quando a convivência foi autorizada. O suspeito, em depoimento, admitiu que pediu a criança em namoro e que a família havia deixado, passando a morar na residência.
O que agrava a situação é o papel do pai da vítima. De acordo com o relato da criança e de sua irmã de 21 anos, o pai não apenas autorizou a união, mas a forçou.
O ambiente doméstico onde o crime ocorria era de extrema precariedade. Segundo as investigações, a família vivia em um único cômodo, sem divisões, com diversas redes. "Eles dividiam ali naquele lugar a mesma rede, conforme fala da vítima e da própria irmã", explicou a delegada. Essa condição de vulnerabilidade fez com que outras crianças na casa presenciassem a situação, sendo percebidas pelas autoridades como já estando "sexualizadas" pelo convívio constante com o ilícito.
Tanto o pai quanto o homem de 33 anos estão custodiados em Manacapuru, e a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva de ambos. A Dra. Joyce Coelho ressaltou que a medida serve de exemplo para que a sociedade não naturalize esses crimes, alertando que a omissão é penalmente relevante. O caso coroa o esforço do Amazonas no combate ao casamento infantil, ecoando o alarme nacional de 34 mil crianças vivendo com maiores de 18 anos, segundo o IBGE.

