A banalidade da greve dos rodoviários em Manaus não pode ser comparada com a “banalidade do mal”, termo definido pela filósofa Hannah Arendt sobre o nazismo, mas o mal causado por este movimento, repetitivo a cada ano, ao cotidiano já embaraçado dos mais 600 mil usuários desse sistema, pode sim ser classificado como um instrumento de tortura e perversidade.
Que me perdoem os judeus pela citação nesse contexto, mas fazer pessoas de várias idades, sexos, destinos e inclusive doenças, a se deslocar a pés, sob o calor causticante dessa época do ano, na busca de chegar no trabalho, na escola, no posto de saúde ou faculdade, não tem justificativa. Até porque essas greves vêm acontecendo desde a década de 1980 do século passado.
O Portal do Holanda mostrou os efeitos da paralisação, que foi abusiva de acordo com parecer da Justiça do Trabalho e até mesmo a inflação do valor do Uber, cujos motoristas aproveitaram o drama dos usuários para faturar mais, dada a demanda pelo serviço.
A velha lei da oferta e da procura que só prejudicou o lado mais fraco dessa disputa:https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/greve-dos-onibus-em-manaus-faz-valor-de-corridas-por-aplicativo-dobrar-nesta-segunda-feira.
A ameaça de multa da Justiça do Trabalho aos rodoviários nem preocupou ou incomodou os dirigentes sindicais, que cantaram a pedra do valor da multa antes que fosse determinada pelo desembargador:https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/com-multa-de-r-120-mil-por-hora-justica-impoe-regras-e-exige-volta-dos-onibus-em-manaus.
Os relatos do sofrimento e indignação dos usuários, mostrados pelo Portal do Holanda,https://www.portaldoholanda.com.br/amazonas/surpresa-e-indignacao-marcam-a-rotina-de-passageiros-apos-paralisacao-de-onibus-em-manaus, podiam sensibilizar os rodoviários que devem lutar pelos seus direitos, mas usar sempre a mesma arma todos os anos e sair impune disso parece ser a estratégia.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano e Rodoviário de Manaus e Região Metropolitana (STTRM) diz que a dívida do poder público com o sistema é de R$ 90 milhões, referindo-se ao custo do Passe Livre Estudantil, enquanto o Governo do Estado depositou R$ 18 milhões na conta da entidade, na semana.
Os leitores do Portal do Holanda no Instagram manifestavam sua revolta. Um deles lembrou que o acordo é entre os empresários e governo, mas quem paga o preço é sempre o usuário, que não entende a relação entre empresários, Prefeitura de Manaus e Governo do Estado nessa questão.
O atual presidente do STTRM, Givancir Oliveira, há mais de 10 anos no cargo, postou em uma rede social o que se pode chamar de pré-campanha para candidato a cargo político. Em nenhum ponto fala de melhoria do transporte público, pois seu foco é o trabalhador, seja motorista ou cobrador.
Há o que se pode chamar de caixa-preta do transporte público de Manaus, guardando segredos que precisam ser revelados. A abertura dessa caixa só se dará a partir de uma grande auditoria nas contas, tanto do Sindicato das Empresas quanto nas do Sindicato dos Trabalhadores desse setor.
Se a greve é irresponsável, como aponta o editorial do Portal do Holanda,https://novo2026.portaldoholanda.com.br/bastidores-da-politica/o-custo-de-uma-greve-irresponsavel, é preciso que as autoridades competentes apontem quem são os causadores dela acontecer todos os anos e prejudicar fortemente quem paga a tarifa mais cara e ainda vê o dinheiro público sendo usado para custear um serviço que foi privatizado, sob a promessa de melhorá-lo, fato que em tese nunca aconteceu. Basta ouvir os usuários para confirmar.
Compra de votos
As convenções partidárias que vão ocorrer ao longo deste final de semana e na próxima, trazem ao cenário eleitoral uma velha prática da política brasileira, a compra de votos, proibida pela legislação, mas amplamente usada de inúmeras formas.
A notícia de cassação de um político, flagrado ou não, mas indiciado judicialmente como autor nesse crime, é um alerta tanto para os :https://www.amazonasdireito.com.br/compra-de-votos-pode-se-configurar-pelo-conjunto-de-provas-reafirma-tre-am-ao-manter-cassacao-de-suplente/.
A coluna Amazonas Direito, do Portal do Holanda, trouxe a informação da cassação, por compra de votos, de um suplente de vereador do Manaquiri, que deve servir de alerta, inclusive para a reportagem, porque essa é uma pauta da hora, do momento.
Existem muitas formas de compra de votos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A promessa de benefícios, mesmo ainda não concedidos, é uma delas.
E o eleitor amazonense, que vai ser assediado de muitas formas nessa disputa, pode escolher entre os que vêm com propostas e não apenas com a queimação da competência e moral do adversário.
A pauta de necessidades do Amazonas é muito grande, apesar de vários candidatos exibirem listas e mais listas de realizações, com números extraordinários, muitos sem efeitos práticos.
Colocar o eleitor em perspectiva sobre efeitos do voto sem consciência não é mera tarefa do jornalismo do Portal do Holanda. É uma obrigação que deve ser sempre lembrada.https://www.portaldoholanda.com.br/bastidores-da-politica/candidatos-precisam-deixar-de-desconstruir-adversarios-eleitor-espera-ouvir-propostas.
Ombudsman
Ana Celia Ossame é amazonense de Manaus, Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) (2015) e graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Ufam (1985). Tem Especialização em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997 e experiência na área de Comunicação, com ênfase em Jornalismo e Editoração e Assessoria de Imprensa. Trabalhou nos jornais amazonenses A Notícia, Jornal do Comércio e A Crítica, onde elaborou matérias sobre Educação, Saúde, Meio Ambiente e do Cotidiano. Durante mais de uma década, foi responsável pela edição e produção de uma página dedicada à Educação no Jornal A Crítica. Foi Assessora de Imprensa do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Câmara Municipal de Manaus, Agência de Comunicação do Governo do Estado, Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) e da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM). É detentora de prêmios jornalísticos como 6º. Prêmio Embratel de Jornalismo (2004), Grande Prêmio Ayrton Senna (2000), Governo do Estado do Amazonas (1997) e Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em 1997, foi premiada como Jornalista Amiga da Criança (JAC) pela Agência de Notícias pelos Direitos da Infância (ANDI), vinculada à Unesco. É autora do Livro de Poesia “Imaginei Assim”, publicado em 1986, dos livros Infantis “O Planeta Azul” (2014) e Os Sapatos da Formiga (2024), publicados pela Editora Valer, este último contemplado pelo Prêmio Frauta de Barro. E-mail: [email protected].
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