Manaus/AM - A greve surpresa dos rodoviários pegou milhares de usuários do transporte público desprevenidos na tarde desta segunda-feira. Entre os afetados pela falta de aviso prévio está a aposentada Aide Dalmira Lopes, de 79 anos, que viajou da BR-174 até o Centro para resolver pendências da sua prova de vida e agora enfrentava dificuldades para voltar para casa.
Ao lado da filha, Helen Lopes, a idosa relatou os transtornos pela falta de circulação da linha 321, o único coletivo que atende a região onde mora. "Não nos avisaram. Viemos de longe, estamos sem almoço e agora estamos presas aqui", desabafou.
O passageiro Sírius, que precisou descer do coletivo no meio do trajeto, destacou o impacto da falta de comunicação para os grupos mais vulneráveis. "Ninguém avisou nada. É a segunda vez em menos de um mês que isso acontece. Tem gente que vai para a escola, universitários, idosos e crianças autistas. É uma falta de respeito com toda a população", criticou.
Apesar dos transtornos, o sentimento de apoio à causa dos rodoviários é compartilhado pelos usuários. Aide demonstrou empatia com a situação dos trabalhadores. "Eles estão reivindicando o que é direito deles. O problema foi termos sido pegos de surpresa", afirmou a aposentada, comparando o cenário aos atrasos que afetam profissionais da saúde na capital. Sírius seguiu a mesma linha de raciocínio: "Errados não estão, porque precisam receber o dinheiro. Todo trabalhador tem direito ao seu salário.", cobrou.
Sem previsão para a normalização do serviço, os passageiros que dependem de linhas periféricas e de longa distância seguem aguardando nas paradas da cidade sem alternativas claras de retorno.



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