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Cresce número de cirurgias cardíacas em crianças no Amazonas

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A Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) registrou aumento de 50% na quantidade de cirurgias cardíacas feitas em crianças no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2011. Foram 74 procedimentos de média e alta complexidade em crianças de zero a 12 anos, o melhor resultado desde que o Estado começou a oferecer o serviço através da rede pública de saúde, em 2005.


O salto reflete a ampliação dos tipos de procedimento. Ano passado, a Susam passou a oferecer todas as variedades de cirurgia disponíveis para correção de problemas cardíacos em crianças. A medida foi determinada pelo governador Omar Aziz para que todas as etapas do tratamento pudessem ser feitas no Estado, dando rapidez ao tratamento, maior chance de recuperação e reduzindo o tempo de espera para a cirurgia. Operações de alta complexidade como as de ventrículo, troncos arteriosos e duplo arco aórtico foram incorporadas à tabela de serviços do Amazonas.


Com a cobertura total, o envio de pacientes para operações em outros Estados se tornou desnecessária. O secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim, explica que para o tratamento em hospitais de outros Estados havia a intermediação do Ministério da Saúde, mas o cuidado só começava após a admissão no hospital requisitado, o que ocorria conforme a demanda da unidade e aumentava o tempo de espera do doente.


A maior parte dos procedimentos para correção é feito logo nos primeiros anos da criança, reduzindo em 85% o risco de morte e garantindo melhoria imediata na qualidade de vida. O ecocardiograma, exame para diagnóstico de problemas no coração, foi inserido na rotina de exames dos recém-nascidos ainda nas maternidades estaduais. Quem é identificado com complicações no interior é trazido para Manaus.


“Ganhamos tempo. A identificação coloca a criança para fazer a cirurgia rapidamente. Uma criança que nasce com uma alteração considerada grave no coração, se não faz a correção logo nos primeiros três meses, a chance de sobrevida é quase nenhuma”, frisou Alecrim.


Cirurgia bem sucedida - Uma das beneficiadas com o avanço das cirurgias foi a pequena Rhillary Emanoely Carvalho, de dois anos. A criança se operou há três meses e está em fase de recuperação. Com o diagnóstico da doença nas mãos, os pais pensaram que a menina não sobreviveria. Foi quando buscaram o Instituto de Saúde da Criança do Amazonas (Icam) e os médicos indicaram a cirurgia, o que em um primeiro momento deixou os pais apreensivos.


“Ela é tão novinha, ficamos com medo de não dar certo. Mas os médicos explicaram que era o melhor caminho. Ela sofria muito, vivia assustada, tremendo. Agora, depois da cirurgia, ela melhorou muito, já brinca, bate palma, ri. É outra criança”, relata a mãe, a dona de casa Naiane dos Santos.


As cirurgias são realizadas no Hospital Santa Júlia, contratado pelo Governo do Estado por meio de licitação. O investimento deve chegar esse ano a R$ 6 milhões, informa o secretário estadual de Saúde.


Em 2011, o programa de cirurgias cardíacas em crianças também obteve resultado positivo. O sistema fechou o ano com 99 crianças operadas, um crescimento de 22% frente a 2010. Os dados até julho de 2012 apontam para um cenário ainda mais promissor. Nesse período, foram feitas, por mês, uma média de 12 cirurgias em crianças para reparo de lesões. Ano passado, a média era de oito crianças operadas mensalmente.


Expansão – O Governo do Amazonas planeja expandir o serviço com o lançamento de um edital para contratação de uma nova empresa para realizar as operações. “Um novo hospital vai ser contratado e passaremos a contar com dois hospitais fazendo as cirurgias”, pontuou o secretário de saúde. O edital está em fase final de elaboração pela Susam e deve ser publicado nos próximos meses para o início do processo de licitação.


Em outra frente, equipes médicas do Hospital Universitário Francisca Mendes, que será ampliado para receber uma ala dedicada exclusivamente a doenças cardíacas, estão sendo treinadas no Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (USP). “É um trabalho para que, no futuro, a gente tenha ainda mais sucesso nessa área”, finalizou Alecrim.


Cateterismo Infantil – O Amazonas também avançou na oferta de tratamento para crianças com doenças cardíacas com a implantação do cateterismo percutâneo infantil no ano passado no Hospital Universitário Francisca Mendes. Um dos maiores avanços da medicina para a área, o procedimento evita a operação nos casos em que a lesão cardíaca pode ser reparada somente com o cateterismo.


Todo o procedimento do cateterismo percutâneo é feito através do vaso femural, localizado na região da virilha. Ao serem introduzidos, os cateteres produzem imagens do coração e ajudam a identificar o problema cardíaco do paciente. Posteriormente, pelo mesmo cateter, a correção é feita. É a chamada cirurgia sem corte, feita apenas por uma punção do vaso. Após o procedimento do cateterismo percutâneo, a criança ainda prossegue fazendo o acompanhamento médico no Intituto da Criança do Amazonas (Icam).


“O procedimento é mais célere, minimamente invasivo e a recuperação é mais rápida, cerca de vinte e quatro horas o paciente já está habilitado”, ressalta o cardiologista pediátrico Ronaldo Camargo, responsável pela realização dos primeiros procedimentos.
 

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