Em sua primeira visita à Nova York desde a posse, pessoas contrárias ao governo pretendem recepcionar Donald Trump com protestos. A chegada do presidente à sua cidade natal, onde nasceu em 1946, cresceu, e multiplicou a fortuna de seu pai, está prevista para esta quinta-feira, à tarde.
Ao desembarcar na cidade, o republicado vai imediatamente ao porta-aviões USS Intrepid, da Segunda Guerra Mundial, que está ancorado no rio Hudson, e que foi transformado em museu, onde vai se reunir e jantar com o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull. O evento vai marcar o 75º aniversário da Batalha do Mar do Coral, quando Estados Unidos e Austrália combateram juntos o Japão. A cerimônia vai contar com a presença de sete sobreviventes do conflito, que têm mais de 90 anos.
Na mesma ocasião, também será reafirmada a aliança entre os dois países, que ficou brevemente estremecida após um telefonema entre os líderes americano e australiano em janeiro, em um tom incendiário.
ONDA DE PROTESTOS
Fora do encontro, milhares de manifestantes e grupos opositores como “Levante e Resista”, o “Partido das famílias trabalhadoras” e “Veteranos de guerra contra o ódio” afirmam que vão protestar no entorno do porta-aviões antes da reunião.
— Vamos nos reunir e fazer barulho. Vamos dizer a Trump que ele não é bem-vindo aqui — disse Wrolf Courtney, um dos organizadores do protesto do “Levante e Resista”.
Organizadores das manifestações expressaram suas indignações nas redes sociais:
— Em seus últimos 100 dia, Trump tem ameaçado deportar nossos vizinhos, retirar nossa cobertura médica, recusar os refugiados que chegam às nossas costas e perdoar ainda mais impostos dos multimilionários. Sem mencionar os milhões do nosso dinheiro que estamos gastando para proteger a Trump Tower.
O gasto diário para proteger os membros da família do presidente que permanecem em Nova York, a esposa Melania e o filho Barron, de 11 anos, que vivem na Trump Tower, e os dois filhos maiores de Trump, Don Jr. e Eric, que retomaram as rédeas da Trump Organization, oscila entre 127 e 146 mil dólares por dia, ou seja, aproximadamente 13 milhões durante 100 dias do mandatário no poder. O gasto sobre a 308 mil quando Trump está em Nova York. A cidade espera um reembolso do dinheiro após um acordo realizado no último domingo à noite entre legisladores democratas e republicanos, sobre o financiamento do governo federal até setembro de 2018.
Cerca de 80% dos eleitores de Nova York, maior cidade dos Estados Unidos, votaram em Hillary Clinton, e desde a eleição de Trump vêm realizando centenas de protestos contra ele. As manifestações contam com o apoio do prefeito democrata Bill de Blasio, que já participou de várias delas e promete defender os 1,2 milhões de imigrantes ilegais que moram na cidade das ameaças de expulsão do presidente.
VOLTAR CUSTA MUITO CARO
Trump ressaltou que não voltou à Nova York antes e optou por ter viajado a seu clube de golfe em Mar-a-Lago, na Flórida, devido ao elevado custo de garantir sua segurança na cidade:
— Voltar custa muito caro ao país. Odeio ver os novaiorquinos com as ruas bloqueadas — declarou o presidente.
A polícia já informou que vai fechar várias ruas no entorno da Trump Tower e no acesso ao porta-aviões USS Intrepid, mas sem precisar quais, o que vai gerar vários engarrafamentos na cidade de mais de oito milhões de habitantes.
Até o momento, mais de 2.000 pessoas já confirmaram presença na manifestação próxima ao USS Intrepid, e mais de 7.000 demonstram interesse em participar. Outros protestos estão previstos para os arredores da Trump Tower, embora o presidente tenha decidido não passar a noite em sua residência da Quinta Avenida. Ele vai ficar longe,em sua casa de campo de Nova Jersey, a Trump National Golf Club, onde deve passar o fim de semana.

