Vídeos que circulam nas redes sociais mostram cenas de caos nas ruas do Irã durante protestos contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. As imagens registram carros incendiados, bandeiras rasgadas e multidões entoando palavras de ordem em diversas cidades do país, em atos considerados os maiores desde 2009.
As manifestações começaram no fim de dezembro, motivadas inicialmente pela grave crise econômica. O rial perdeu cerca de metade do valor frente ao dólar no último ano, enquanto a inflação ultrapassou 40%. Com o avanço da repressão policial, os protestos passaram a exigir abertamente a renúncia do líder supremo, no poder desde 1989.
Em pronunciamento transmitido pela TV estatal nesta sexta-feira (9), Khamenei afirmou que o governo “não vai recuar” e classificou os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”. Segundo organizações de direitos humanos, ao menos 40 pessoas morreram desde o início dos atos, incluindo integrantes das forças de segurança, embora o número real possa ser maior devido às restrições à circulação de informações no país.
A crise também elevou a tensão entre Irã e Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que reagirá de forma dura caso o regime iraniano mate manifestantes. Em resposta, Khamenei chamou Trump de “arrogante” e acusou o líder dos EUA de ter “as mãos manchadas de sangue”, em referência a ataques realizados em 2025.

