CARACAS - Imagens registradas em protesto em Caracas na segunda-feira mostram policiais da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) atirando diretamente em manifestantes. Pelo menos dois policial são vistos disparando contra uma multidão na região de Altamira na capital venezuelana. A presidente da ONG Controle Cidadão, Rocío San Miguel, afirmou que os sargentos responsáveis pelos disparos já foram identificados, mas de maneira “extraoficial”.
Segundo Rocío, os agentes serão investigados pelo Ministério Público. Ela denunciou o capitão responsável pela ação policial no protesto por não ter supervisionado seu contingente. Ela afirma que o tenente-coronel da GNB e o comandante do Destacamento de Ordem Pública da operação de segunda-feira também devem responder.
Milhares de opositores ocuparam as ruas de Caracas para protestar contra o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e sua convocação de uma Assembleia Constituinte. No 80º dia da atual onda de protestos, mais um jovem de 17 anos foi morto a tiros em Caracas, elevando a conta para 73 vítimas mortais nas manifestações. Outras seis pessoas ficaram feridas a tiros no episódio, numa grande passeata que tomou o Leste da capital. O protesto foi bloqueado por militares e policiais, que voltaram a utilizar bombas de gás lacrimogêneo e jatos d'água lançados por veículos blindados.
O uso de armas de fogo contra qualquer tipo de manifestação é proibido segundo a legislação venezuelana. No entanto, não é a primeira vez que agentes de segurança do Estado usam armamento para conter protestos.

