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Sírios-americanos cristãos defendem decisão de barrar refugiados

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ALLENTOWN, EUA - A fumaça de um narguilé saía do restaurante Saado’s enquanto Elias Shetayh e Aziz Wehbey conversavam sobre seu apoio a Donald Trump, cuja suspensão temporária à entrada de refugiados vindos da Síria — sua terra natal — vem desencadeando uma tempestade política. Os amigos falavam sobre a tristeza de ver seu país dividido em dois.

— Trump está certo, de certa forma, em fazer o que está fazendo — defendeu Shetayh, em referência à ordem executiva que proíbe a entrada de cidadãos de sete países nos EUA. — Este país está um desastre.

A visão de Shetayh é compartilhada por muitos em Allentown, na Pensilvânia, uma das maiores comunidades de sírios-americanos nos EUA, muitos estabelecidos há décadas. Eles têm ajudado o fluxo constante de familiares a entrar no país, e — para a surpresa de muitos — deram um forte apoio a Trump na última eleição.

— Não gostaríamos de trazer refugiados por uma simples razão: não sabemos seus antecedentes — afirmou Wehbey. — Se, Deus me livre, um ataque terrorista acontecer aqui, todos seremos rotulados como pessoas más. Eu odeio dizer isso.

Há ainda um contexto religioso: os sírios de Allentown são cristãos; os recém-chegados, tendem a ser muçulmanos.

— Nós não estamos sendo preconceituosos contra o Islã de forma alguma. Contanto que você seja um bom ser humano, tem o direito de acreditar no que quiser. Mas a maioria da população síria é cristã por aqui — justificou Wehbey. — Agora eles estão trazendo novos elementos da Síria, são refugiados de uma guerra religiosa. Podem ter ódio no coração pelo que aconteceu. E não queremos ver um conflito aqui.

A família Shetayh, dona do restaurante, vive há décadas nos EUA: Elias há 46 anos e sua mulher, Georgette, há 30. Wehbey chegou em 1991, quando tinha 19 anos. Todos agora são cidadãos americanos, parte de uma comunidade multicultural a cerca de cem quilômetros de Filadélfia. Mas, assim como no restante do país, não há consenso sobre o decreto — mesmo entre aqueles que continuam apoiando Trump.

Fouad Younes, por exemplo, mostrava-se preocupado com famílias que agora serão separadas. Mas mesmo não concordando com a decisão de deixar de aceitar todos os refugiados, insiste que Trump está certo em exigir que sejam rigorosamente verificados.

— Dizer para aqueles que têm visto que não podem entrar é uma vergonha — lamentou Fouad, que assim como muitos se decepcionou com Barack Obama por ter pedido a renúncia do presidente sírio, Bashar al-Assad. — Mas, em vez de brigar entre nós, devemos dar uma chance ao homem. Talvez ele traga os empregos de volta.

Há um forte sentimento entre muitos sírios da região de que Assad liderou o país razoavelmente bem e que as coisas estavam indo na direção certa antes da guerra civil.

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