VARSÓVIA — Peritos do Instituto de Lembrança Nacional (IPN, na sigla em polonês), uma organização que investiga crimes contra o Estado polonês concluíram que o ex-presidente da Polônia Lech Walesa atuou como colaborador do regime comunista e espião para a União Soviética, entre 1970 e 1976, antes portanto da fundação do sindicato Solidariedade, que Walesa liderou durante a década de 1980. Walesa negou as acusações.
De acordo com os analistas, a caligrafia do ex-presidente é idêntica a do agente conhecido como “Bolek”, que teria trabalhado com a polícia secreta do regime comunista polonês. Segundo documentos divulgados pelo IPN, o agente teria concordado em “cooperar com a polícia secreta para detectar e combater inimigos do comunismo, enviando informações escritas”. O acordo entre “Bolek” e a polícia inclui ainda a determinação de que os serviços prestados pelo agente mantenha-se completamente confidenciais e que suas operações não sejam comunicadas nem mesmo a seus familiares. Uma assinatura — que Walesa afirma ser falsificada — completa o documento.
Essa não é a primeira vez em que o ex-presidente se vê obrigado a negar acusações de que tenha colaborado com o regime que ajudaria a derrubar no fim da década de 1980. Meses atrás Walesa publicou uma mensagem no Facebook negando que tivesse atuado como espião para a União Soviética, e em maio do ano passado, afirmou que publicaria 900 documentos para deixar que a população julgasse se ele foi ou não um agente secreto.
“Nunca guardei segredos na minha vida. Deixem que a verdade de todo este lixo venha à tona”, escreveu o ex-presidente. “Quase tudo o que dizem é uma farsa montada contra mim. Isso é o que ganho por ter servido a meu país. Julguem-me e encontrem a verdade. Não escondo nem nego nada. Deixem que a Justiça prevaleça”.
Os documentos com a assinatura similar a de Walesa foram divulgados a cerca de um ano, por Maria Kiszczak, viúva do ex-ministro do Interior, general Czeslaw Kiszczak, e reacenderam teorias conspiratórias contra o ex-líder do Solidariedade.
— Antes de morrer, meu marido disse que se em algum momento eu precisasse de auxílio financeiro, deveria levar esses documentos ao IPN. Eles estavam agrupados e eu nãos os abri. Somente quando os policiais os abriram encontrei uma nota dizendo que eles deveriam permanecer secretos por décadas após sua morte — afirmou Maria, que vendeu os documentos por 90 mil zloty (cerca de R$ 70 mil) por presicsar de dinheiros para uma reforma domiciliar. — Me sinto culpada porque não imaginava tamanha reação, e não percebi que esses documentos deveriam permanecer em segredo pro tantos anos. Meu marido queria proteger a reputação de Walesa como um herói.
O ex-presidente afirmou, no Facebook, que peritos devem ter sido coagidos a “confirmar o que, obviamente, não é verdade”.

