Talvez você me conheça como um ator. Também sou um apoiador de longa data de reformas eleitorais e um opositor do partidarismo. Os fundadores do país sabiam que o partidarismo era uma das poucas coisas suficientemente poderosas para destruir a brilhante experiência democrática dos Estados Unidos.
Até 2008 — quando uma iniciativa batizada de Unity08, comandada pelo democrata Gerald Rashoon e pelo republicano Doug Bailey, e que buscava eleger um chapa bipartidária, foi derrotada — eu estava registrado como um eleitor independente. Para votar em Barack Obama nas primárias daquele ano, eu me filiei a um partido. Acreditando que seria o melhor uso de qualquer influência que minha carreira no show business pudesse ter, participei, quase sempre de maneira silenciosa, por muitos anos da direção de ONGs como Oceana e Refugees International. Mas trabalhar silenciosamente não parece ser uma opção agora. Esse parece ser um momento “mãos à obra”.
A grande questão atualmente é a mentira — as constantes mentiras contadas em público. A mentira é um aliado da dissidência e, desde a chegada de Donald Trump ao poder, é o grande perigo. Antes, o presidente John F. Kennedy podia dizer que nossos problemas nacionais não eram mais ideológicos, mas sim técnicos. A mentira em larga escala reverteu esse cenário.
E trata-se de algo difícil de acompanhar. Trump mentiu sobre mudanças climáticas e o caráter e as motivações de refugiados, sobre como requerentes de asilo foram aprovados no passado, e sobre quantos podem ter entrado no país. Mentiu também sobre imigrantes e sobre uma série de outros temas. Com o partidarismo, quanto mais mentiras forem contadas, pior é o cenário. E os fatos alternativos de Trump tiveram consequências bem difíceis no mundo real.
Políticos mentiram antes, mas esse não é um velho problema que piorou. Pela frequência de suas inverdades, Trump revelou uma verdade que evitávamos confrontar: assim como o partidarismo, o hábito de mentir com frequência é uma ameaça existencial a nós, a nossas instituições, a nossas memórias, a nossa compreensão do agora e do futuro, à grande experiência democrática dos Estados Unidos, e ao planeta. Mentiras distorcem a verdade, subvertem a confiança, interferem nos pensamentos e destróem a clareza.
É impossível exagerar quanto ao que está em jogo. “Eu venci”, diz Trump, seguindo sua frase com mentiras sobre vitórias acachapantes, fraudes eleitorais e números de multidões. Todos os americanos deveriam estar alarmados. Isso deve estar no início de cada artigo escrito sobre ele e seu governo, independentemente de seu assunto. Mentiras nesse nível ameaçam a República.

