BEIRUTE - A Rússia questionou a confirmação pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) de que o gás sarin ou um agente tóxico similar foi usado no ataque que deixou quase 100 mortos em Khan Sheikhoun, no Norte da Síria, no início de abril. A revelação foi divulgada em um relatório entregue a diplomatas das Nações Unidas, que não apontou responsáveis pelo atentado, embora a coalizão de nações ocidentais liderada pelos Estados Unidos acreditem que forças ligadas ao presidente sírio, Bashar al-Assad, tenham usado armas químicas contra a população civil.
“A avaliação do Reino Unido é a de que o regime de Assad muito provavelmente está por trás deste ataque abominável”, afirmou, no Twitter, o chanceler britânico, Boris Johnson. “Conclamo nossos parceiros internacionais a se unirem na missão de levar os responsáveis por essa atrocidade à Justiça”.
O relatório da Opaq surge dias após o Pentágono levantar suspeitas de que o regime sírio estaria manipulando armas químicas na base aérea de al-Shayrat, que poderiam ser usadas em um novo atentado contra grupos rebeldes que lutam para demover Assad do poder. O documento será encaminhado a uma comissão formada por integrantes da entidade e das Nações Unidas para identificar, “de maneira independente, quem é responsável pelo ataque”, informou a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.
Apoiada pelos governos de Rússia e Irã, a Síria — que afirma ter descartado seu arsenal de armas químicas em 2014 — nega qualquer participação, afirmando que um ataque aéreo atingiu um depósito de armas usado pela al-Qaeda, que teria explodido e liberado os gases tóxicos.
O enviado russo para a Opaq, Alexander Shulgin, afirmou que o relatório da entidade deixou diversas perguntas sem resposta, e destacou que o governo russo exortou a organização em repetidas ocasiões a conduzir investigações na província de Idlib, local do atentado.
— Vimos fotos do local do incidente nas quais médicos atuavam sem qualquer equipamento de proteção, e nos perguntamos como é possível que eles não tenham sido infectados. Mas não há qualquer resposta ou explicação no relatório — afirmou Shulgin à emissora RT. — Não souberam precisar o local do ataque nem tiveram qualquer acesso aos hospitais nos quais os feridos foram tratados.
A guerra civil na Síria teve início em março de 2011, durante os protestos da chamada Primavera Árabe. Desde então, o conflito já deixou mais de 450 mil mortos e obrigou cerca de 4,5 milhões de pessoas a deixarem o país, afirmam grupos de monitoramento.

