SÃO PETERSBURGO - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, denunciou nesta quinta-feira a "russofobia contraproducente" e afirmou que essa aversão aos russos "não vai durar eternamente", em um discurso no Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo. O mandatário negou qualquer relação da Rússia com ‘hacking’, atividade criminosa em sistemas informáticos.
Putin afirmou que a emergência de um mundo multipolar, graças aos esforços da Rússia em particular, desagrada alguns que impõem a Moscou "restrições econômicas, cujo efeito é absolutamente nulo". Sem mencionar qualquer governo especificamente, o presidente russo afirmou que a Rússia enfrentou tentativas para prejudicar seus interesses legítimos. Segundo ele, as sanções econômicas das quais o país foi alvo — principalmente pelo conflito na Ucrânia —, tiveram “efeito zero”.
Putin afirmou que a ação individual de alguns “patriotas” poderia elevar alguns ataques em meio às relações conflituosas do país com o Ocidente, mas institiu categoricamente que os rusos “não se engajam nisso em nível estatal”. O presidente russo também afirmou que “nenhum hacker pode influenciar as campanhas eleitorais em qualquer país de Europa, Ásia ou América”.
— Os hackers podem surgir em qualquer país. Se eles são patriotas darão sua contribuição ao que beneficie a Rússia — disse. — Não apoiamos este tipo de operação a nível de Estado e não temos a intenção de fazer isto no futuro. Pelo contrário, lutamos contra.
Agências de inteligência dos Estados Unidos acusaram a Rússia de invadir o sistema de e-mails do Partido Democrata em plena eleição americana no ano passado, ajudando o presidente Donald Trump a vencer a disputa. Na quarta-feira, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton aumentou o tom contra Trump, dizendo suspeitar que durante a corrida eleitoral de 2016.
Segundo Hillary, o governo russo "queria espalhar desinformação" sobre ela. Para isso, "não poderiam ter sabido a melhor forma de armar essa informação a menos que tenham sido guiados".

