O presidente colombiano, Gustavo Petro, afirmou neste domingo, 19, que moverá uma ação penal contra o presidente equatoriano Daniel Noboa, depois que este o acusou de ter vínculos com um chefe de facção criminosa, aprofundando a crise diplomática e comercial entre os dois países.
Noboa declarou no sábado, 18, à revista colombiana Semana, sem apresentar provas, que Petro "se reuniu com alguns membros da Revolução Cidadã (movimento de esquerda no Equador) e alguns desses membros da Revolução Cidadã têm vínculos com Fito".
Adolfo Macías, conhecido como "Fito", era o principal líder de uma das maiores organizações criminosas do Equador, Los Choneros, e foi extraditado no ano passado para os Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas e armas.
"Decidi processar criminalmente o presidente Noboa por sua calúnia", escreveu no X o governante colombiano, que um dia antes havia negado conhecer o líder criminoso.
"O próprio Noboa deu a ordem, como deve ser, para que o exército equatoriano, em todo momento, dia e noite, me protegesse em Manta", cidade à qual compareceu em maio do ano passado para a posse de Noboa em seu segundo mandato.
A organização política Revolução Cidadã, liderada pelo ex-presidente equatoriano Rafael Correa (2007-2017), é o maior grupo de oposição a Noboa.
Petro insistiu na acusação de que "a oposição colombiana de Uribe", em alusão ao ex-presidente do país, por "ordem de uma força estrangeira no Equador e na Colômbia", atua para desacreditá-lo. Ele também não apresentou provas de suas afirmações.
A Associated Press solicitou no domingo um posicionamento da chancelaria e da presidência do Equador, mas não recebeu resposta imediata.
Este é mais um dos episódios da disputa entre os dois mandatários, que mergulhou Colômbia e Equador em uma guerra comercial desde janeiro. No início deste ano, Noboa impôs unilateralmente uma tarifa sobre as importações colombianas, alegando falta de controle na fronteira comum.
A Colômbia respondeu também com impostos e a suspensão da venda de energia, enquanto o Equador elevou progressivamente a tarifa de 30% para 50% e, finalmente, para 100%. Esta última passará a valer em maio.
A tensão na relação bilateral também se agravou depois que Petro chamou de "preso político" o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, que cumpre pena de prisão por casos de corrupção e a quem concedeu nacionalidade colombiana.
Noboa rejeitou a classificação que, segundo ele, atenta contra a soberania do país, e convocou para consultas seu embaixador em Bogotá. A Colômbia adotou, posteriormente, a mesma medida.
*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão . Saiba mais em nossa Política de IA.



