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Polícia detém outro uzbeque na investigação de ataque em Nova York

Polícia detém outro uzbeque na investigação de ataque em Nova York
Polícia detém outro uzbeque na investigação de ataque em Nova York

NOVA YORK — Ao mesmo tempo em que as investigações mostram no uzbeque Sayfullo Saipov — preso após atropelar intencionalmente e matar oito pessoas e ferir 12 na tarde de terça-feira em Nova York — uma pessoa que não se arrependeu e até se orgulhou quando soube das consequências de seu ato, o FBI (a polícia federal dos EUA) indicou que ele pode ter tido ajuda. Uma segunda pessoa do Uzbequistão foi detida para prestar esclarecimentos: Mukhammadzoir Kadirov, de 32 anos, que não teve detalhes de uma possível relação com o atropelador divulgados. Sem arrependimentos, Saipov pediu para colocar a bandeira negra do Estado Islâmico em seu quarto do hospital, onde está após ter sido baleado por um agente, e se disse “satisfeito com o que fez”.

Ele foi acusado de terrorismo pela Procuradoria de Nova York após ter sido interrogado “sem demonstrar remorso”. Inspirado em vídeos do Estado Islâmico (EI), Saipov admitiu que começou a planejar o ataque há um ano e que escolheu o dia do Halloween para ter certeza que muitas pessoas estariam nas ruas. As investigações ainda avaliam que ele pode ter fornecido apoio material e recursos a uma organização estrangeira terrorista.

VIDA EM DIFERENTES ESTADOS

A notícia pode apontar para um ataque mais planejado do que o que se supunha até então, quando o ato era creditado como sendo de um “lobo solitário”, como são conhecidos atos individuais, muitas vezes só inspirados — mas sem ligação — com organizações terroristas.

— Ele fez isso em nome do EI, e juntamente com outros itens recuperados no local havia uma anotação que indica isso — disse o vice-comissário de polícia de Nova York, John Miller. — A essência da nota era que o Estado Islâmico durará para sempre. Ele parece ter seguido quase exatamente as instruções que o EI colocou em seus canais de redes sociais para seus seguidores.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que Saipov foi radicalizado depois que se mudou para os EUA, informando-se sobre o Estado Islâmico. Segundo Miller, Saipov aparentemente mantinha contatos com pessoas investigadas pelas autoridades, mas não estava no radar do FBI.Em Lower Manhattan, uma caminhonete avança por uma ciclovia matando ao menos 8 pessoas e ferindo várias. O motorista desce do veículo levando duas armas de brinquedo e é baleado pela polícia. Testemunhas dizem que ele gritou: "Alá é grande"

Casado e com três filhos, o uzbeque chegou ao país pelo programa federal de sorteio de vistos, em 2010, e foi motorista de caminhões e de um aplicativo de transporte. Já viveu em Flórida, Ohio e Nova Jersey. Apesar de ter sido identificado originalmente como morador de Tampa, na Flórida, autoridades acreditam que sua residência fixa era em Paterson, Nova Jersey, um ex-polo industrial cerca de 40 quilômetros a noroeste de Manhattan.

De acordo com registros de Ohio, Saipov se casou com sua conterrânea Nozima Odilova, então com 19 anos, em abril de 2013. No estado, seu nome aparece como funcionário da Sayf Motors, uma empresa de transporte em caminhões, e sua carteira de habilitação o mostra como apto a dirigir veículos grandes e pesados. No mais recente trabalho como motorista, fez cerca de 1.400 viagens pelo aplicativo Uber, onde tinha boa avaliação por parte de clientes que utilizaram o serviço.

Mas Saipov foi citado em vários pequenos delitos de trânsito em diferentes estados. Em outubro de 2016, foi preso no Missouri por não ter pagado uma multa. Após indicar que vivia na Flórida e não se apresentar na audiência em novembro seguinte, teve ordem de prisão emitida em abril deste ano, da qual escapou ao pagar fiança de US$ 200.

Conhecidos de Saipov deram visões distintas sobre ele. Carlos Batista, vizinho em Paterson, relatou que o uzbeque parecia ser calmo e em uma ocasião apaziguou uma briga por causa de barulho. Já a conterrânea Dilfuza Iskhakova, que abrigou Saipov por meses em Cincinnati (Ohio), disse que ele “parecia legal, mas era muito quieto”. Por sua vez, o ativista Mirrakhmat Muminov afirmou que Saipov era solitário e tinha confrontos com outros uzbeques da comunidade em Ohio “por ter visões radicais”.

— Ele não era muito educado e nem tinha conhecimento do Alcorão antes de chegar aos EUA — afirmou à BBC.

Num mercado frequentado por Saipov em Paterson, funcionários relataram ao “New York Post” que ele “tinha personalidade errática” e regularmente discutia por causa do preço de refrigerantes. “Chamava os caixas de ‘burros e mal-educados’”, revelou um gerente sob anonimato.

Enquanto investigadores do Uzbequistão trabalham para encontrar possíveis laços de Saipov com o extremismo em sua terra natal, o presidente Shavkat Mirziyoyev afirmou que seu governo fará tudo que puder para ajudar.

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