BUENOS AIRES— A polícia da Argentina prendeu 23 manifestantes na noite desta sexta-feira após um confronto no final da marcha que reuniu uma multidão no centro de Buenos Aires em protesto ao desaparecimento do jovem Santiago Maldonado. Outras 20 pessoas ficaram feridas devido à confusão, que começou cerca de duas horas depois do fim da manifestação. Segundo a imprensa local, os manifestantes atiraram pedras, paus e garrafas, e os policiais atacaram com spray de pimenta e jatos de água.
O protesto foi organizado para questionar as autoridades sobre o paradeiro de Santiago Maldonado, um artesão de 28 anos, que foi visto pela última vez há um mês, quando participava de uma manifestação indígena, na província de Chubut, e foi detido pela polícia.
A manifestação reuniu milhares de pessoas na Plaza de Mayo e acabou em confusão quando um grupo de manifestantes lançou pedras no palácio presidencial e incendiou cestos de lixo. O confronto entre policiais e manifestantes durou mais de uma hora e deixou rastros de destruição pelas ruas do centro de Buenos Aires.
O ato que reuniu milhares nas ruas da capital argentina teve o apoio da oposição de organizações de direitos humanos, como a as Avós da Plaza de Mayo, que acusam o governo de Mauricio Macri de ser o responsável pelo desaparecimento de Maldonado. Durante o protesto, o irmão de Santiago, Sergio Maldonado, discursou para a multidão:
— Queremos uma investigação séria e imparcial, queremos que se investigue todo o pessoal da Gendarmería que atuou em 31 de julho e 1º de agosto, eles são responsáveis e têm que dar conta de sua atuação. Até quando devemos nos perguntar onde está Santiago?
O Governo Nacional por outro lado afirmou que não há provas de que Maldonado tenha estado no lugar dos fatos e que haja vínculos da Gendarmería Nacional com seu desaparecimento. O presidente Mauricio Macri defende que seja respeitada a investigação que está em sigilo.

