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Número de mortos em atentados terroristas no Paquistão chega a 73

PESHAWAR — Quatro atentados em três grandes cidades paquistanesas na sexta-feira marcaram o fim do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos. O pior ataque aconteceu em Parachinar, cidade de maioria xiita na região de Kurram, onde duas bombas explodiram num mercado lotado, deixando até o momento 55 mortos. Segundo autoridades locais, ainda existem muitos feridos em estado grave. Ao todo, 73 pessoas morreram em ações terroristas no país.

Neste sábado, o grupo sectário Lashkar-e-Jhangvi, aliado do Estado Islâmico, assumiu a autoria do duplo atentado em Parachinar. Em comunicado, os terroristas disseram que os alvos eram muçulmanos xiitas e ameaçaram novos ataques no país caso os paquistaneses continuem a combater militantes sunitas na Síria.

Centenas de paquistaneses, muitos deles xiitas, foram recrutados pelo Irã para defender o governo do presidente Sírio, Bashar al-Assad, na guerra civil que se arrasta por seis anos. No comunicado, o Lashkar-e-Jhangvi ameaçou “a comunidade xiita de Parachinar a parar de sujar as mãos com o sangue de sunitas na Síria”, dizendo que se isso não for cumprido “nos próximos dias vocês enfrentarão ataques tão destrutivos e mortíferos”.

Além do Irã, Assad tem apoio da Rússia e da milícia libanesa Hezbollah contra vários grupos rebeldes sunitas, apoiados pela Turquia e outros Estados árabes, Estados Unidos e potencias europeias. E os dois lados combatem o Estado Islâmico, um grupo militante sunita.

Mais cedo, quatro homens armados em duas motos atacaram policiais num restaurante de beira de estrada na cidade de Karachi, deixando quatro oficiais mortos.

Em Quetta, perto da fronteira com o Afeganistão, um atentado suicida com carro-bomba atingiu uma delegacia deixando 14 mortos, incluindo vários policiais. O Estado Islâmico e o grupo dissidente do Talibã, Jamaat ur Ahrar, reivindicaram a ação.

“Nossos ataques vão continuar até que a xaria seja aplicada no Paquistão”, disse o grupo Jamaat ur Ahrar, em comunicado.

De maioria sunita, mas com uma parcela considerável da população xiita, o Paquistão tenta se afastar da guerra sectária que provocou a guerra civil na Síria e a recente tensão entre o Catar e Estados muçulmanos liderados pela Arábia Saudita.

Após os atentados, os militares paquistaneses afirmaram que as medidas de segurança foram reforçadas no país, inclusive na fronteira com o Afeganistão, lar do grupo sunita Talibã.

— Inimigos tentando acabar com o clima festivo da nação por meio desses atos covardes. Eles falharão contra a resiliência do Paquistão — afirmou Qamar Javed Bajwa, chefe do exército paquistanês.

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