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Maduro denuncia complô militar antes de marcha da oposição

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CARACAS — O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, denunciou na noite de terça-feira um complô militar contra o seu governo, em meio ao aumento de tensões e violência no país. A declaração de Maduro na TV vem um dia antes da realização de uma grande marcha da oposição em Caracas. O presidente disse que foram “desmantelados vários grupos”, e que foi preso um militar aposentado identificado como um dos líderes de uma suposta tentativa de golpe. Manifestantes opositores voltam às ruas nesta quarta-feira contra o que consideram uma ruptura da ordem constitucional e para pressionar por eleições e a libertação de presos políticos.

O governo anunciou uma operação chamada plano de Zamora, que consiste na mobilização de estrutura, militares, policiais e civis para garantir o funcionamento do país, sua “segurança, ordem interna e integração social”.

— A jurisdição militar está processando todos os conspiradores civis e militares, aposentados neste caso, ativos já capturados ou em fuga para a Colômbia —acrescentou.

Maduro defendeu ainda que o presidente da Assembleia da Venezuela, o opositor Julio Borges, tem de ser processado.

— O que Borges fez hoje constitui um crime contra a Constituição, e assim deve ser processado. (Ele) convoca os funcionários da Força Armada abertamente para um golpe de Estado — afirmou o presidente.

Borges havia pedido aos militares para agirem com consciência durante as manifestações da oposição, dizendo que a posição de comando não os isenta de sua responsabilidade. Também informou que o seu partido Primeiro Justiça denunciou ante o Tribunal de Haia “um caso de tortura” de dois líderes da juventude do partido.

Entre os temores de novos episódios de violência e de um aprofundamento da grave crise política e econômica que abala o país, opositores e simpatizantes de Maduro vão medir forças nesta quarta-feira nas ruas.

A oposição promete o que será “a mãe de todas as marchas”, a sexta passeata no mês de abril, para exigir eleições gerais e respeito ao Parlamento, único poder público em que tem maioria.

Para a oposição, o plano de segurança anunciado por Maduro busca intimidar, o que, afirma em um comunicado, “evidencia a fragilidade e o temor do povo nas ruas”.

Os opositores pretendem chegar ao coração da cidade, mas Maduro advertiu que o povo tomará as ruas e não poderão entrar nesta área da capital, reduto dos chavistas.

— Se a direita quer marchar, que o faça no leste — disse.

Policiais e militares bloquearam o percurso em passeatas anteriores e as ruas de Caracas foram cenário de confrontos com manifestantes encapuzados, que lançaram pedras e coquetéis molotov, em meio a nuvens de gás lacrimogêneo.

O governo acusa a oposição de terrorismo, enquanto os opositores acusam as forças de segurança de repressão e torturas. A onda de protestos já deixou cinco mortos, dezenas de feridos e mais de 200 detidos.

Preocupados, 11 países da América Latina pediram ao governo chavista garantias ao direito de protesto pacífico, o que o ministério das Relações Exteriores chamou de “interferência grosseira”.

O governo do presidente americano Donald Trump fez uma dura advertência aos funcionários públicos venezuelanos para que desistam da repressão.

— Estamos enfrentando uma arremetida internacional (...) Os Estados Unidos deram luz verde e aprovação para um processo golpista de escalada para a intervenção de Venezuela — reagiu Maduro.

Em uma demonstração de força, o presidente liderou na segunda-feira uma cerimônia militar na qual recebeu das Forças Armadas, aliado chave com enorme poder político e econômico, a promessa de “lealdade incondicional”.

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