Por Jason Lange
WASHINGTON, 2 Mar (Reuters) - Apenas um em cada quatro norte-americanos aprova os ataques dos EUA que mataram o líder do Irã no sábado, enquanto cerca de metade -- incluindo um em cada quatro republicanos -- acredita que o presidente Donald Trump está demasiado disposto a usar a força militar, de acordo com uma pesquisa da Reuters/Ipsos.
Vinte e sete por cento dos entrevistados disseram aprovar os ataques, enquanto 43% desaprovaram e 29% não tinham certeza.
Aproximadamente nove em cada dez entrevistados disseram ter ouvido pelo menos um pouco sobre os ataques, que começaram no início do sábado com um ataque surpresa que matou o líder iraniano.
A pesquisa, que foi concluída no domingo, mostrou que 56% dos norte-americanos acham que Trump, que também ordenou ataques na Venezuela, Síria e Nigéria nos últimos meses, está demasiado disposto a usar força militar para promover os interesses dos EUA. A grande maioria dos democratas — 87% — compartilhava dessa opinião, assim como 23% dos republicanos e 60% das pessoas que não se identificam com nenhum dos dois partidos políticos.
A sondagem foi realizada em meio a ataques contínuos dos EUA e de Israel ao Irã e encerrada antes que as Forças Armadas dos EUA anunciassem as primeiras baixas norte-americanas na operação.
Quatro militares norte-americanos foram mortos durante a campanha, que levou o Irã a retaliar com ataques com mísseis e drones contra Israel e instalações militares norte-americanas em toda a região. Três jatos norte-americanos foram abatidos durante missões de combate, o que, segundo as Forças Armadas dos EUA, aconteceu quando foram alvejados por engano pela defesa aérea do Kuweit.
PREOCUPAÇÃO COM DANOS ÀS TROPAS
Enquanto 55% dos republicanos disseram aprovar os ataques e 13% desaprovaram, a pesquisa Reuters/Ipsos mostrou que 42% de integrantes do partido de Trump disseram que seriam menos propensos a apoiar a campanha no Irã se ela levasse à “morte ou ferimentos de soldados norte-americanos no Oriente Médio”.
A taxa de aprovação presidencial de Trump caiu ligeiramente para 39%, um ponto percentual abaixo da pesquisa Reuters/Ipsos realizada entre 18 e 23 de fevereiro.
Os ataques ao Irã começaram três dias antes das primeiras primárias das eleições de meio de mandato nos EUA, que determinarão se os republicanos de Trump manterão sua maioria no Congresso pelos próximos dois anos. As pesquisas Reuters/Ipsos têm mostrado consistentemente que a principal preocupação dos eleitores nas eleições é a economia, muito mais do que as relações exteriores.
PREOCUPAÇÃO COM OS PREÇOS DOS COMBUSTÍVEIS
Quarenta e cinco por cento dos entrevistados, incluindo 34% dos republicanos e 44% dos independentes, disseram que estariam menos propensos a apoiar a campanha contra o Irã se os preços da gasolina ou do petróleo aumentassem nos Estados Unidos.
Os preços do petróleo Brent subiram 10%, para cerca de US$80 o barril, no mercado de balcão no domingo, segundo operadores de petróleo. Analistas previram que os preços poderiam subir até US$100 devido ao conflito.
Os Estados Unidos e Israel lançaram seus ataques depois que as negociações em Genebra entre os EUA e o Irã não conseguiram garantir um avanço sobre o programa nuclear de Teerã.
Washington quer que o Irã desista de todo o enriquecimento de urânio, pois acredita que Teerã quer construir uma bomba nuclear. O Irã nega querer uma bomba e diz que quer processar urânio para produzir combustível para usinas nucleares.
A pesquisa da Reuters/Ipsos mostrou que cerca de metade dos entrevistados — incluindo um terço dos democratas — disse que estaria mais propenso a apoiar os ataques ao Irã se eles levarem o país a desistir de seu programa nuclear.
A pesquisa, que começou no sábado após o início dos ataques, reuniu respostas online de 1.282 adultos norte-americanos em todo o país. Ela tem uma margem de erro de três pontos percentuais.
(Reportagem de Jason Lange em Washington)

