RIO – Diferentemente do que se esperava, o presidente da França, Emmanuel Macron, não discutiu a possibilidade de decretação de estado de emergência para conter a violência nos protestos dos chamados “coletes amarelos” que tomaram o país nas últimas três semanas na reunião deste domingo com outros altos integrantes de seu governo. Mais cedo, Benjamin Griveaux, porta-voz do governo francês, havia dito em entrevista à rádio “Europe 1” que “todas opções disponíveis” seriam abordadas no encontro.
Segundo fonte ouvida pela agência de notícias Reuters, Macron, o primeiro-ministro Edouard Philippe, o ministro do Interior Christophe Castaner e representantes das forças policiais falaram apenas de mudanças no esquema de segurança para evitar a repetição de episódios de violência como os registrados neste sábado, em que cerca de 300 pessoas foram presas e 110 ficaram feridas, entre elas 20 membros das forças policiais, em confrontos nas ruas da capital Paris.
Enquanto isso, o sindicato dos policiais franceses está preocupado com a ação de elementos de extrema direita por trás dos episódios de violência. Em um comunicado, a Aliança da Polícia Nacional pediu o "reforço do Exército" para guardar prédios públicos de forma a "liberar as forças móveis de intervenção" no combate à violência nos protestos, bem como a "instituição do estado de emergência" que estaria sendo estudado pelo governo.
Segundo Philippe Capon, secretário-geral da Aliança, um fenômeno "novo" das manifestações é a violência da parte da extrema direita.
- Até agora, seus integrantes raramente atacavam a polícia, concentrando-se nas edificações - disse Caon ao jornal "Le Monde". - Mas hoje não há qualquer conflito entre os diferentes movimentos políticos, eles não se enfretam entre si, mas se juntam contra as forças da ordem.

