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Macron e Le Pen buscam desacreditar um ao outro na reta final na França

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PARIS - O 1º de Maio na França foi marcado por um duelo à distância entre os dois candidatos que disputam o segundo e decisivo turno da eleição presidencial, no próximo domingo. Em seus respectivos comícios, o centrista Emmanuel Macron, do movimento Em Marcha!, e a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, da Frente Nacional (FN), multiplicaram ataques recíprocos para desacreditar o adversário e convencer eleitores indecisos e absenteístas nesta reta final do pleito.

Na pesquisa Kantar-Sofres-OnePoint divulgada ontem, Macron diminuiu sua vantagem, mas permanece como o favorito na corrida presidencial contra Le Pen: venceria por 59% a 41%. No Dia do Trabalho, manifestações convocadas por associações e sindicatos resultaram em confrontos de black blocs com as forças de ordem em Paris, com seis policiais feridos e cinco agressores detidos.

A candidata da direita radical abriu o embate ao reunir milhares de simpatizantes em Villepinte, em Seine-Saint-Denis, ao norte de Paris, ao aludir à célebre declaração do então candidato à Presidência François Hollande, em 2012, em que apontou como seu maior inimigo “o mundo da finança”.

— Hoje, o adversário do povo francês ainda é o mundo da finança — disse Le Pen. — Mas desta vez, ele tem um nome, um rosto, um partido, e ele apresenta sua candidatura e todos sonham em vê-lo eleito: ele se chama Emmanuel Macron. Monsieur Macron adotou como slogan “A França reunida”. Seria mais sincero dizer “A finança reunida”.

Le Pen definiu seu oponente como um legítimo herdeiro do governo atual, do qual ele foi ministro da Economia antes de se demitir para lançar seu próprio movimento, e ironizou suas reais preocupações se eleito para o Palácio do Eliseu:

— Macron é Hollande que se agarra ao poder. E pensa mais do que tudo no status de primeira-dama. (...). No 7 de maio, eu os convoco a fazer barragem à finança, à arrogância e ao “dinheiro-rei” — concluiu antes de entoar a Marselhesa, o Hino Nacional francês.

Jean-Marie Le Pen, pai de Marine e um dos fundadores da FN (hoje afastado do partido pela filha), fez seu tradicional discurso de 1º de Maio ao pé da estátua de Joana d’Arc na Praça des Pyramides, na capital francesa, e não poupou o desafiante da filha.

— Macron é um Hollande bis. Ele nos fala de futuro, mas não tem filhos. Ele nos fala dos trabalhadores, mas é um ex-banqueiro do Rothschild. Ele quer dinamizar a economia, mas faz parte daqueles que a dinamitaram — disparou, referindo-se a Marine como uma “mãe de família patriótica e engajada há anos ao serviço do país”.

Em seu discurso de campanha num centro de eventos na Porte de la Villette, em Paris, Macron replicou a pai e filha.

— Sinto em nosso país um imenso temor sobre o futuro das famílias. Eu seria um inimigo porque a minha é um pouco diferente, o que assumo plenamente? — indagou, mirando na plateia sua mulher Brigitte, 24 anos mais velha do que ele. — Sim, há na França muitas famílias, casais de mesmo sexo e de sexos diferentes, há filiações diferentes e há muito amor. Eu protegerei todas as famílias, pois dois homens e duas mulheres que se amam são também famílias. Monsieur Le Pen, eu tenho filhos e netos de coração. É uma filiação que se constrói, e que o senhor não terá!.

O candidato também explorou as recentes hesitações de sua adversária em relação a um dos pontos de referência do programa da FN: a saída da França da zona euro. Nos últimos dias, Le Pen suavizou seu discurso, acenou com negociações mais amplas e duradouras com a União Europeia, e mesmo com a coabitação de duas moedas no país, o franco e o euro.

— Eles nos explicam que não vão sair de imediato do euro, que haverá uma moeda comum, que teremos o franco pela manhã e, à tarde, o euro, e que com estas cédulas de “Monopólio” as coisas serão melhores! É agora que está em jogo a herança intelectual, moral e política da França, mas também o futuro da Europa. Marine Le Pen quer tirar a França da Europa, do mundo e da História. A FN é o partido anti-França — atacou.

Neste 1º de Maio belicoso, sobrou também para Jean-Luc Mélenchon, que obteve 19,5% de votos no primeiro turno como candidato da frente de esquerda radical França Insubmissa. Mélenchon, que se recusa a indicar apoio, exigiu um gesto da parte de Macron, como a promessa de retirada de seu programa do projeto de reforma trabalhista, sob o argumento de que não se pode “pedir uma adesão sem nada oferecer”.

— Ouvi nestes últimos dias pedidos de modificação do meu programa, como “faça uma concessão, a união, e esqueça sua reforma do trabalho”. Não o farei. Os franceses votaram e escolheram o projeto que inclui estas reformas. Não vou traí-los renegando-as. Nós faremos estas reformas — garantiu Macron.

Segundo o Ministério do Interior, 142 mil pessoas — 280 mil para a central CGT — se manifestaram em toda a França pelo Dia do Trabalho. Em Paris, as manifestações reuniram 30 mil pessoas, segundo a polícia, e 80 mil, segundo os sindicatos. Os dois candidatos manifestaram solidariedade aos policiais feridos nas passeatas parisienses.

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