Como foi o reencontro com seu marido?
Tinha 35 dias sem saber nada dele. É muito injusto que impeçam visitas de familiares. É injusto ouvir rumores de que ele teria ido para o hospital. É uma prova de que Leopoldo está sequestrado. É injusto o vídeo que foi manipulado, falso e que não parecia ser ele. Com essa angústia que tínhamos, com muita pressão conseguimos vê-lo no domingo. E vê-lo me tranquiliza muito porque o vi bem, forte, de bom humor, o abracei e nos contou que o castigaram sem razão porque não querem que veja o que está acontecendo na Venezuela. Eu lhe contei sobre os protestos, ele não sabia que estamos nas ruas de maneira tão forte.
Meses atrás, o presidente da Assembleia Nacional esteve no Brasil e disse que o restabelecimento de eleições regionais era suficiente. O que mudou?
Deram um golpe na Assembleia Nacional, querem dar um golpe na Constituição atual eliminando o voto popular, é isso que pretendem fazer, porque nenhuma eleição levará à Constituinte, porque perderiam todos. Tem que se buscar a base. Querem eliminar o voto popular livre e secreto. Aumentaram os presos políticos. Em janeiro foi preso um deputado. Estão reprimindo as manifestações nas ruas, já mataram 42 pessoas, a maioria jovens, desde 4 de abril. Estão assassinando os jovens.
Não é mais possível fazer qualquer negociação com Maduro?
O diálogo fracassou. O diálogo que começou com três mediadores, os ex-presidentes José Luis Zapatero (do governo espanhol), Martín Torrijos (Panamá) e Leonel Fernández (República Dominicana), mais o Vaticano com o monsenhor Claudio María Celli, fracassou. Nosso partido nunca se sentou, por ser o mais perseguido e porque as condições são horríveis, inclusive Leopoldo está preso numa cela e não permitem receber parentes nem ninguém, está incomunicável. Nunca houve condições para o nosso partido se sentar, mas os partidos que se sentaram e tentaram não conseguiram e fracassou.

