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Bob Woodward minimiza comparação de Trump com Watergate:‘É preciso investigar’

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WASHINGTON - Bob Woodward ficou marcado no jornalismo em todo o mundo por seu trabalho no “Washington Post” revelando o caso Watergate, que acabaria derrubando o presidente Richard Nixon. Em entrevista ao diário, ele minimizou a comparação da demissão de James Comey do FBI por ordens de Donald Trump com o episódio e disse que a imprensa tem enorme responsabilidade em continuar investigando.

Minha primeira reação foi: “Uau”, e minha segunda foi: “Mas é claro”. Há uma certa lógica nisso. Uma reportagem revelou que recentemente Comey vinha pedindo ao Departamento de Justiça mais dinheiro e recursos para aumentar os esforços na investigação russa, e logo depois ele está fora.

É claramente uma investigação legítima, e Trump não gosta disso. Alguns dizem que é encobrimento, outros que não há evidências. O que é preocupante para um repórter interessado em cobrir fatos é que tudo tenha se tornado tão polarizado, tão emocional. É uma pena que vivamos nesta cultura da internet de impaciência e velocidade, que nos tira do caminho da coleta de fatos.

Muitos estão alarmados com a Presidência de Trump, algumas pessoas por razões partidárias. Estava ouvindo o senador (republicano) Lindsey Graham esta manhã, e ele disse: “Ok, vamos dar um passo de cada vez”. Podemos nos dar ao luxo de fazer isso. Sou a favor disso. Acho que a imprensa tem agora uma responsabilidade quádrupla de trabalhar duro nisso — nas várias investigações, no FBI, no Senado, na Câmara — de investigar e ser paciente.

O presidente tem esse poder. Vá à Constituição, é muito claro. Ele pode fazer o que quiser, dentro de limites talvez razoáveis. Poderiam argumentar que ele não deveria fazer isso, é abusivo. Não sei até que tenhamos provas — se é que teremos, e se o clima for de impaciência, não vamos conseguir provas, porque para fazer isso é preciso realmente tentar falar com todos que possam saber alguma coisa.

O “Massacre de Sábado à Noite” foi um evento sísmico gigante. Na época, John Dean, o advogado de Nixon, já tinha dado um testemunho público devastador, de quatro dias, e Alexander Butterfield, assessor de Nixon, tinha revelado o sistema de gravação. Então, quando se chegou ao ponto em que Nixon demitiu o promotor especial, havia acusações volumosas contra ele e um caminho para obter as provas.

É muito importante entender o que John Dean dizia: detalhes, dezenas de ligações, reuniões mostrando que o presidente orquestrou e foi o líder de uma obstrução ilegal da Justiça. Tinha-se uma testemunha de primeira mão, e no caso de Trump há muita suspeita — genuína, bem fundamentada, mas não um John Dean. Não há nada comparável. Talvez haja em algum momento. Depois, temos o “Massacre de Sábado à Noite”. Nixon não estava demitindo o diretor do FBI, estava demitindo o chefe, o promotor especial, Archibald Cox. Houve uma tempestade, dezenas de resoluções na Câmara pedindo uma investigação de impeachment, então o que Nixon fez? Ele piscou. Ele disse, “ok, teremos um novo promotor especial” e ainda havia uma ordem de um tribunal federal de apelações dizendo que ele tinha que entregar as fitas, e ele disse, “ok, vou fazer isso”. E assim ele revelou provas que se mostraram bastante incriminatórias contra ele. Temos uma situação muito diferente.

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