SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O governo de Israel acusou nesta sexta-feira (21) o movimento grupo Hamas de ter assassinado os irmãos Ariel e Kfir Bibas durante o seu cativeiro em Gaza e de entregar o corpo de uma pessoa desconhecida, e não o de sua mãe Shiri.
"Ariel e Kfir Bibas foram brutalmente assassinados em cativeiro, segundo análise dos corpos e de informações disponíveis", afirmou Avichay Adraee, porta-voz do Exército israelense. De acordo com o gabinete de Benjamin Netanyahu, as mortes ocorreram "em novembro de 2023 por terroristas palestinos".
Os corpos que, segundo o Hamas, pertenciam aos três integrantes da família Bibas foram entregues junto com o de Oded Lifschitz à Israel na manhã desta quinta-feira (20). A entrega foi feita em Khan Younis, na Faixa de Gaza, e os caixões pretos foram recebidos pela Cruz Vermelha.
Hamas alega que as mortes dos irmãos Ariel e Kfir Bibas e de sua mãe Shiri ocorreram devido a um ataque aéreo das forças de Netanyahu. No entanto, as autoridades israelenses nunca confirmaram essa informação e seus familiares ainda tinham esperança de que pudessem estar vivos.
Eles são os israelenses mais jovens capturados pelo Hamas no ataque de 7 de outubro de 2023. A ação resultou em 1.200 mortes em Israel e 251 sequestros. A retaliação israelense causou cerca de 48 mil mortes no território palestino.
O porta-voz do Exército israelense também denunciou que o suposto corpo de Shiri Bibas entregue pelo Hamas não corresponde ao dela, e sim de uma desconhecida. O militar exigiu a devolução imediata dos restos mortais da mãe dos dois meninos.
As imagens de Shiri Bibas e seus filhos enquanto era sequestrada pelo Hamas tornaram-se símbolos do trauma do ataque. Segundo Yiftach Cohen, morador de Nir Oz, a comunidade perdeu cerca de um quarto dos habitantes entre mortos e sequestrados no ataque.
QUEM ERA A FAMÍLIA
Eles moravam no kibutz Nir Oz, no sul de Israel. Shiri estava com os dois filhos no colo quando foi cercada por integrantes do Hamas. Imagens circularam as redes na época e impactaram o mundo.
Shiri tem origem argentina. Seus filhos eram cidadãos do país. O ex-presidente Mauricio Macri disse pelo X (antigo Twitter) que o mundo inteiro está em luto.
Marido de Shiri foi o único sobrevivente da família. Yarden Bibas foi libertado no dia 1º de fevereiro. A família havia sido separada após o sequestro.
Esta é a primeira vez que o Hamas entrega os restos mortais de reféns. No sábado, o grupo palestino deve libertar seis reféns com vida.
Desde o início do cessar-fogo concluído com a mediação de Qatar, Egito e Estados Unidos, 19 reféns israelenses foram libertados. Em troca, mais de 1.100 palestinos detidos por Israel foram soltos, nessa primeira fase da trégua.
NETANYAHU PROMETE ELIMINAR O HAMAS APÓS ENTREGA DE RESTOS MORTAIS
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, voltou a afirmar que vai eliminar o grupo extremista Hamas. A declaração foi publicada em vídeo nas redes sociais, após a devolução dos corpos de quatro reféns israelenses.
Netanyahu declarou que Israel vai se vingar do Hamas. "Destruiremos os assassinos, eliminaremos o Hamas e, juntos -com a ajuda de Deus-; garantiremos nosso futuro", disse.
O premiê prometeu trazer todos os reféns e afirmou que "é um dia difícil para os israelenses". "Neste dia, estamos todos unidos em uma dor insuportável. Todos nós sofremos com dor misturada com raiva. Estamos todos furiosos com os monstros do Hamas".
Os críticos argumentam que Netanyahu não fez o suficiente para trazer os reféns de volta, o que ele rejeita. A entrega inédita marca a primeira devolução de cadáveres durante o atual acordo.
ONU DENUNCIA ENCENAÇÃO
ONU denuncia encenação 'abominável' do Hamas
A Organização das Nações Unidas criticou a entrega dos corpos dos reféns. "A maneira como o Hamas encenou a entrega dos corpos de quatro reféns israelenses é "abominável e cruel", denunciou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.
"O desfile de corpos da maneira vista é abominável e cruel, e vai contra o direito internacional. Pedimos que todos os retornos sejam conduzidos com privacidade, com respeito e cuidado", afirmou o Alto Comissariado.
Um cartaz exibido no local sugeria que a terra pertence aos palestinos. A imagem mostrava um homem sobre caixões com bandeiras israelenses e raízes no lugar das pernas, com a mensagem "O Retorno da Guerra = O Retorno dos seus Prisioneiros em Caixões".



