MUNIQUE, Alemanha — A Conferência de Segurança de Munique se transformou neste domingo em palco para a troca de ameaças entre Israel e Irã, elevando o nível de tensões no Oriente Médio. Em dura declaração, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ameaçou agir contra o Irã, “se necessário”, pouco mais de uma semana após realizar ataques aéreos contra alvos na Síria. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Javad Zarif, reagiu dizendo que a derrubada de um caça israelense quebrou a crença de “invencibilidade de Israel”.
— Israel não vai permitir ao regime colocar uma forca de terror em nosso pescoço — afirmou Netanyahu, com uma peça nas mãos que seria de um drone iraniano derrubado sobre o espaço aéreo israelense. — Vamos agir se necessário não apenas contra os aliados de Irã, mas contra o próprio Irã.
Em sua primeira participação na conferência, que conta com a participação de representantes da defesa e diplomatas da comunidade internacional, Netanyahu pediu ações imediatas para impedir que Teerã avance com sua zona de influência na região. Mostrando mapas, o primeiro-ministro acusou o Irã de ocupar os territórios que estão sendo liberados do Estado Islâmico pela coalizão internacional liderada pelos EUA.
— O fato desafortunado é que, à medida que o Estado Islâmico é comprimido, o Irã se move. Está tentando estabelecer este império contínuo em torno do Oriente Médio, desde o sul, no Iêmen, mas também tentando criar uma ponte terrestre do Irã para o Iraque, a Síria, o Líbano e Gaza — acusou o primeiro-ministro israelense. — Este é um movimento muito perigoso para a nossa região.
As tensões na região se elevaram no início do mês, com a primeira incursão aérea israelense desde o início da guerra civil na Síria, em 2011. No sábado passado, dia 10, caças israelenses bombardearam instalações militares sírias e outros alvos, que segundo Israel, seriam iranianos. A ação aconteceu após um drone supostamente iraniano lançado a partir da Síria ser derrubado em Israel.
— Não coloquem à prova a determinação de Israel — afirmou Netanyahu. — Aqui temos a peça de um drone iraniano! Senhor Zarif, reconhece? Deveria, é seu.
Na ação, um dos caças utilizados no ataque foi derrubado pelas baterias antiaéreas sírias. Na ocasião, o Irã negou ter lançado um drone contra Israel, enquanto Israel negou que o caça destruído tenha sido abatido.
— Israel usa a agressão como política contra seus vizinhos — respondeu Zarif, após o discurso de Netanyahu, acusando Israel de “represálias em massa contra seus vizinhos e incursões diárias na Síria e no Líbano”. — Uma vez que os sírios tiveram coragem de abater um dos seus aviões, foi como se um desastre acontecesse. O que aconteceu nos últimos dias é que a chamada invencibilidade de Israel se desintegrou.
O Ministro da Defesa do Líbano, Yacoub Riad Sarraf, também respondeu às ameaças de Israel. O país abriga a milícia xiita Hezbollah, que entrou em guerra contra Israel em 2006. As tensões entre os dois países aumentaram nos últimos anos, incluindo uma disputa de fronteira marítima.
— Cuidado, nós vamos nos defender — alertou Sarraf. — Nós também temos amigos.

