BERLIM, 13 Abr (Reuters) - O governo de coalizão da Alemanha concordou com medidas de alívio nos preços dos combustíveis para consumidores e empresas no valor de 1,6 bilhão de euros (US$1,9 bilhão), encerrando uma disputa sobre como responder ao aumento do preço do petróleo desencadeado pela guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
O imposto sobre o diesel e a gasolina será cortado em cerca de 0,17 euros por litro durante dois meses, disseram o partido conservador CDU e seus parceiros de coalizão de centro-esquerda SPD nesta segunda-feira.
A guerra do Irã causou a maior interrupção já registrada no fornecimento global de energia, com planos para um bloqueio dos Estados Unidos aos portos e áreas costeiras iranianas, o que elevou ainda mais os preços do petróleo.
"Essa guerra é a verdadeira causa dos problemas que estamos enfrentando também em nosso próprio país", disse o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, em uma entrevista coletiva.
Ele disse que a coalizão está fazendo todo o possível para amortecer o impacto do conflito, que foi suspenso por um frágil cessar-fogo, e pediu às empresas petrolíferas que repassassem o corte de impostos integralmente. "Esperamos que o setor de petróleo repasse essas medidas de alívio direta e integralmente aos consumidores", disse Merz.
Economistas e grupos do setor estavam céticos.
Marcel Fratzscher, do instituto de pesquisa econômica DIW Berlin, disse que uma grande parte da redução de impostos poderia "acabar nas contas bancárias das empresas de petróleo" e criticou as medidas por não incentivarem a economia de combustível.
As operadoras de postos de combustíveis da Alemanha também manifestaram essa preocupação, pedindo ao governo que imponha controles de preços às grandes empresas petrolíferas, caso contrário há o risco de essas companhias aumentarem os preços para embolsar parte do benefício.
"O governo precisa ser duro com as grandes companhias de petróleo", disse um porta-voz ao jornal Rheinische Post.
A coalizão governista também concordou em permitir que as empresas paguem um bônus de alívio de 1.000 euros por funcionário, isento de impostos sobre a folha de pagamento e contribuições para a previdência social.
(Reportagem de Andreas Rinke, Maria Martinez e Miranda Murray)



