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Sobreviventes de tiroteio em escola na Flórida organizam protesto em Washington

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PARKLAND, Estados Unidos — Estudantes que sobreviveram ao massacre do colégio Marjory Stoneman Douglas, em Parkland, na Flórida, anunciaram neste domingo que estão organizando um protesto a ser realizado em Washington, no dia 24 de março. Batizada como “March for Our Lives”, a manifestação pretende pressionar a classe política do país a agir para controlar o mercado de armas de fogo.

— Este é o momento para conversamos sobre o controle de armas: 24 de março. Minha mensagem para as pessoas no governo é: vocês estão conosco ou estão contra nós — disse Cameron Kasky, estudante da Marjory Stoneman, em entrevista coletiva concedida neste domingo. — Nós estamos perdendo as nossas vidas enquanto os adultos estão brincando.

Além do protesto em Washington, os estudantes pedem que manifestações aconteçam em escolas de todo o país, fazendo com que o massacre de Parkland se transforme num ponto de virada na política de controle de armas dos EUA. Kasky, acompanhado de outros quatro estudantes — Emma Gonzalez, David Hogg, Alex Wind e Jaclyn Corin —, agradeceu o apoio que tem recebido das gerações mais velhas, mas foi claro sobre o que eles veem como uma inação contínua dos adultos: “Nós não precisamos de vocês”.

— Vocês verão estudantes marchando em cada grande cidade e nós que temos as nossas vidas em risco aqui. E, no fim, é isso que vai nos trazer a vitória e tirar algo de certo desta tragédia — disse Kasky. — Isso é sobre nós implorando por nossas vidas.

Além de protestos na capital e em todas as grandes cidades americanas, os estudantes planejam estigmatizar políticos que recebem contribuições de campanha da Associação Nacional de Rifles (NRA, na sigla em inglês) e de outros grupos do lobby da indústria de armas.

— Nós ficamos muito tempo sentados, sendo inativos em nosso clima político, e como resultado, crianças morreram — comentou Hogg. — Se nossos governantes eleitos não desejam se levantar e dizer: “Eu não vou continuar recebendo dinheiro da NRA porque crianças estão morrendo”, eles não devem estar no governo. E não estarão, porque este ano tem eleições e esta é a mudança que precisamos.

— Não é sobre republicanos. Não é sobre democratas — completou Kasky. — Isso é sobre nós criarmos um selo da vergonha para qualquer político que aceitar dinheiro da NRA nos usando como danos colaterais.

No sábado, estudantes da Marjory Stoneman Douglas e seus familiares e amigos realizaram um protesto em Fort Laudardale, a cerca de 40 quilômetros do local do massacre. Em discurso emocionado, Emma Gonzalez deu o tom do desejo desta comunidade na Flórida.

— Talvez os adultos tenham se acostumado a dizer: “é assim mesmo”. Mas se nós estudantes aprendemos alguma coisa é que se você não estudar, você irá falhar. E este é o caso se não fizemos nada: pessoas irão continuar morrendo — disse Emma. — Nós seremos as crianças que você irão ler nos livros escolares. Não por sermos outra estatística nos assassinatos em massa nos EUA, mas porque seremos o último.

Segundo Emma, os estudantes de Parkland querem conversar sobre o controle de armas com o presidente dos EUA, Donald Trump, com o senador pela Flórida, Marco Rubio, e com o governador do estado, Rick Scott, todos republicanos.

— Nós queremos dar a eles a oportunidade de estarem no lado certo — disse a jovem.

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