Por Rajendra Jadhav
MUMBAI, 7 Set (Reuters) - As compras agressivas de óleo vegetal pela Índia causaram congestionamento nos principais portos, atrasando o descarregamento de navios em até 10 dias, à medida que os tanques em terra se enchem e as refinarias encontram dificuldades para dar escoamento às cargas, informaram autoridades do setor à Reuters.
A expectativa é de que o congestionamento leve as refinarias indianas a reduzirem as compras de óleo de soja e óleo de palma para remessas em outubro, o que pode aumentar os estoques nos principais países produtores -- Indonésia, Malásia e Argentina -- e pesar sobre os contratos futuros de referência do óleo de palma e do óleo de soja.
“Os tanques em terra estão cheios, e a falta de espaço de armazenamento está atrasando o descarregamento dos navios que transportam óleos comestíveis”, disse Sandeep Bajoria, diretor-executivo da corretora de óleos vegetais Sunvin Group.
“Pelo menos nove navios transportando 300 mil toneladas de óleos comestíveis aguardam para descarregar no porto de Kandla.”
Kandla, no Estado de Gujarat, no oeste do país, é o maior ponto de entrada da Índia para importações de óleo comestível, movimentando quase um terço do total de chegadas ao país.
Haldia, o segundo maior porto de entrada para importações de óleos comestíveis na costa leste, também enfrenta congestionamento, embora em menor grau do que Kandla, segundo os corretores.
As importações de óleos comestíveis do país do sul da Ásia em agosto atingiram uma alta de 11 meses, chegando a 1,54 milhão de toneladas, e é provável que uma quantidade semelhante seja importada em setembro também, afirmaram.
Como os óleos comestíveis para entrega imediata estavam mais baratos do que os contratos para meses posteriores, as refinarias indianas aumentaram suas compras para entrega em agosto e setembro, causando um excesso de oferta nos portos, disse Rajesh Patel, sócio-gerente da empresa de comercialização GGN Research.
As refinarias ampliaram as importações antecipando uma demanda forte durante o período de festividades, mas o consumo não aumentou como esperado, o que desacelerou o escoamento da carga das refinarias localizadas nos portos, disse Patel.
A Índia celebra uma série de festivais entre agosto e novembro, quando a demanda por óleos comestíveis costuma atingir o pico.
O acúmulo de estoques agora está levando as refinarias a reduzirem as compras para remessas de outubro a dezembro, disse Bajoria.
A Índia obtém a maior parte de suas necessidades de óleo de palma da Indonésia e da Malásia, enquanto o óleo de soja e o óleo de girassol são importados principalmente da Argentina, do Brasil, da Rússia e da Ucrânia.
(Reportagem de Rajendra Jadhav)



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