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Filme sobre czar Nicolau II gera protestos de ortodoxos na Rússia

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MOSCOU - Religião, revolução e o último czar da Rússia se encontraram novamente cem anos após o movimento que não só derrubou violentamente a monarquia como também transformou o país, por sete décadas, num Estado oficialmente ateu. Só que, desta vez, a revolução apenas empresta seu aniversário de 100 anos como pano de fundo para um embate em torno do romance do futuro Nicolau II com uma bailarina do Balé Imperial, Matilda Kshesinskaya, retratado num filme recém-lançado. Com algumas cenas suaves de sexo, a obra despertou a ira de fiéis ortodoxos, pois Nicolau II, sua mulher e os cinco filhos, executados pelos bolcheviques em 1918, foram canonizados pela Igreja Ortodoxa russa no ano 2000.

Os protestos vêm ocorrendo há meses. Uma deputada da Crimeia que tem um retrato de Nicolau II em seu escritório vem propondo que qualquer coisa que prejudique a imagem do antigo czar seja banida. A viúva de um sobrinho do czar, Olga Kulikovskaya-Romanova, de 91 anos, emitiu um vídeo com um apelo para que o filme não fosse exibido na Rússia, classificando-o de “vil e imoral”. Um grupo mais fanático chegou a tentar incendiar um cinema em Ekaterimburgo — cidade nos Montes Urais onde a família imperial foi fuzilada em julho de 1918 — que passava o filme. Outros fanáticos puseram fogo em dois carros em frente ao escritório do advogado do diretor da obra, Alexei Uchitel, em Moscou.

— Acho que a estreia do filme é não somente uma vitória para o filme ou para Alexei Uchitel, mas para todas as pessoas decentes, que são a maioria absoluta na Rússia — disse o diretor numa entrevista coletiva antes da estreia em Moscou anteontem, enquanto um grupo tentava impedir o evento do lado de fora do cinema.

As reações extremistas não têm encontrado eco no governo de Vladimir Putin, e a Procuradoria-Geral disse não haver nada de ilegal no filme. Sem restrições oficiais — o diretor apoiou a anexação da Crimeia em 2014, e o maestro Valery Gergiev, que conduziu a orquestra na trilha sonora, é apoiador do presidente — o filme será exibido em 2.200 cinemas em todo o país.

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