Por Fernando Kallas
MADRI, 8 Set (Reuters) - A Federação Espanhola de Futebol anunciou um acordo para apoiar tratamentos de fertilidade para jogadoras e árbitras, apresentando a medida como mais uma forma de dar às mulheres no futebol de alto nível maior liberdade para decidir se e quando querem ser mães.
A Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) informou nesta terça-feira que seu acordo com a clínica Tambre permitirá que as atletas tenham acesso a tratamentos, incluindo fertilização in vitro e congelamento de óvulos, no que a federação chamou de um passo pioneiro para o esporte feminino no país.
As jogadoras da seleção espanhola Olga Carmona e Patri Guijarro participaram do anúncio e elogiaram o acordo como uma ferramenta importante para as jogadoras que precisam conciliar as exigências do esporte profissional com a vida pessoal.
“Estamos muito felizes com esse acordo, por termos mais uma opção para decidir como e quando escolher ser mãe”, afirmou Carmona.
Guijarro disse que a medida faz parte de um esforço mais amplo para melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal das atletas e garantir que a maternidade não se torne um obstáculo à carreira no esporte de elite.
“Em última análise, é um acordo muito positivo, pois é verdade que, durante todos esses anos, temos lutado para alcançar um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal para as mães”, declarou Guijarro.
“No que diz respeito à possibilidade de ter uma carreira ao mesmo tempo em que se é mãe, medidas de equilíbrio entre vida profissional e pessoal estão sendo implementadas; sentimos que fomos ouvidas. É importante que as atletas sintam que não precisam escolher entre suas vidas profissionais e pessoais.”
De acordo com Reyes Bellver Alonso, diretora de futebol feminino da RFEF, a federação arcará com o custo total do tratamento de congelamento de óvulos e oferecerá uma série de benefícios relacionados a diferentes tratamentos para todas as jogadoras da seleção que tenham sido convocadas pelo menos duas vezes. O acordo com a Tambre estará em vigor até 2029.
“O debate sobre maternidade e equilíbrio entre vida profissional e pessoal é amplo, e é bom que essas questões estejam sendo discutidas, pois isso sempre ajuda a dar mais visibilidade a elas em outras áreas”, disse Bellver Alonso.
Ela afirmou que o futebol fez avanços significativos na proteção dos direitos das jogadoras, dos contratos e das garantias em caso de gravidez, incluindo a eliminação de cláusulas anti-gravidez.
“Se há uma área em que se tem trabalhado em prol dos direitos de maternidade, da proteção das mulheres, da proteção dos contratos e do equilíbrio entre vida profissional e pessoal no esporte feminino, essa área é o futebol”, disse ela.
A RFEF afirmou que o acordo não foi elaborado para desencorajar as jogadoras de terem filhos enquanto estiverem na ativa, mas para oferecer outra opção, de modo que elas não precisem descartar a maternidade por causa de sua carreira esportiva.
O anúncio também gerou debate entre organizações trabalhistas e de igualdade na Espanha, com algumas alertando que o apoio à fertilidade não deve substituir proteções mais robustas no local de trabalho para as mães.
A medalhista olímpica de bronze e saltadora tripla Ana Peleteiro descreveu a medida como “profundamente sexista” em um vídeo publicado nas redes sociais, enquanto o sindicato CCOO afirmou que o foco deve permanecer no equilíbrio entre vida profissional e pessoal e na proteção da gravidez durante as competições.



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