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Penélope Cruz e Bardem protagonizam drama sobre poder e isolamento exibido em Veneza

Reuters
Penélope Cruz e Bardem protagonizam drama sobre poder e isolamento exibido em Veneza
Penélope Cruz e Bardem protagonizam drama sobre poder e isolamento exibido em Veneza

Por Crispian Balmer

VENEZA, 8 Set (Reuters) - O bunker secreto de sobrevivência de um bilionário do setor de tecnologia inspirou o mais recente filme de Florian Zeller, que estreou na terça-feira no Festival de Cinema de Veneza, trazendo um alerta sobre isolamento, poder e um mundo controlado por uma minoria rica.

Estrelado pelo casal da vida real Javier Bardem e Penélope Cruz, “Bunker” acompanha um renomado arquiteto que é contratado para projetar um abrigo de luxo no Havaí para um cliente rico convencido de que a sociedade está prestes a entrar em colapso.

À medida que o arquiteto se deixa cada vez mais seduzir pelo projeto, surgem tensões em seu casamento e uma disputa aparentemente insignificante com um vizinho se torna cada vez mais ameaçadora.

Zeller, que ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado por “Meu Pai” em 2021, disse que a ideia surgiu de reportagens que leu sobre um empresário proeminente que estava construindo um refúgio secreto.

“Achei que era um paradoxo fascinante, porque esse homem, que fez fortuna com a ideia de conectar as pessoas, estava trabalhando em um plano B para se isolar do resto do mundo”, afirmou o diretor francês aos repórteres.

PODER NAS MÃOS DE UMA MINORIA SELECIONADA

A história evoluiu para uma reflexão mais ampla sobre uma sociedade em que as pessoas se isolam cada vez mais e onde tudo, desde a comida até a amizade, é fornecido por meio de telas.

“Quanto mais eu pensava nisso, mais percebia que todos nós, em algum grau, somos tentados a viver em um bunker”, disse ele. “Não um bunker de verdade, é claro, mas um bunker invisível.”

O filme também serve como uma crítica a um sistema econômico no qual um punhado de pessoas exerce enorme influência, declarou Zeller.

“Pouquíssimas pessoas são donas de quase tudo. Elas são donas da nossa privacidade, dos nossos endereços de email, das plataformas nas quais nos comunicamos. E essa é uma questão real que precisamos questionar.”

Zeller disse que escalar Bardem e Penélope Cruz juntos acrescentou outra dimensão à história. “Achei que seria uma maneira única de capturar algo especial como um casal de verdade, para borrar a linha entre realidade e ficção”, disse ele.

Cruz afirmou aos repórteres que se sentiu atraída pelo projeto, em parte porque ele explorava suas próprias preocupações.

“Acredito que as pessoas que tomam as decisões mais importantes do mundo provavelmente podem ser contadas nos dedos das duas mãos, e às vezes até uma mão seria suficiente”, disse ela.

“Esse grau de manipulação me parece muito triste, e os acontecimentos estão ocorrendo tão rapidamente que dá a sensação de que quase não há tempo para reagir.”

Bardem disse que não trouxe nada de seu próprio casamento com Cruz para o filme. No entanto, sua esposa reconheceu uma coisa: que o filme lhes permitiu conversar em espanhol, como fazem na vida real, enquanto alternavam para o inglês em suas relações com o mundo exterior.

“Mesmo se a gente olhar para trás, há 10, 15 anos, era sempre um grande desafio fazer com que os financiadores aceitassem algo assim”, afirmou ela. “Mas... é a isso que as crianças estão acostumadas hoje em dia, vendo filmes originais com pessoas falando a língua que deveriam falar.”

“Bunker” é um dos 21 filmes concorrentes ao prêmio Leão de Ouro de Veneza, que será entregue no sábado.

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