Analistas do centro de estudos Bruegel, em Bruxelas, avisam que Bulgária, Hungria e Romênia "não devem atingir a meta de 80% da União Europeia, caso continuem na velocidade atual", enquanto Alemanha, Áustria e Eslováquia devem encontrar dificuldade em encher seus reservatórios se o gás vindo da Rússia for completamente cortado. Um corte dessa magnitude poderia elevar o preço do gás de volta ao pico de 206 euros por megawatt/hora, índice registrado em 7 de março, fomentando a inflação.
Existem esforços para construir mais gasodutos conectados a Azerbaijão e Noruega. Na Alemanha, que não tem terminais de importação, estão sendo construídos quatro terminais flutuantes, dois com previsão para começar a operar até o final do ano. Apesar dessas iniciativas, o foco na sustentabilidade foi colocado de lado para complementar a produção de energia, voltando a operação em capacidade total de usinas a carvão na Alemanha e na Holanda.
Mesmo com todas as medidas do governo europeu, a segurança da oferta de gás continua frágil. Terminais de produção de energia em países como Estados Unidos e Catar funcionam a toda velocidade, representando uma competição entre Europa e Ásia por recursos limitados. A lei europeia exige que o governo racione o fornecimento de gás para indústrias e priorize o suprimento de residências, escolas e hospitais - o que poderia provocar cortes e fechamento de indústrias. Segundo especialistas, isso custaria empregos e crescimento em uma economia já espremida pela alta inflação e pelo temor de uma desaceleração global, enquanto bancos centrais aumentam taxas de juros.



