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Chavistas dissidentes e oposição se unem contra Constituinte

CARACAS — Chavistas dissidentes e a oposição se uniram ontem contra o governo de Nicolás Maduro, da Venezuela, em apoio ao plebiscito sobre a validade da Constituinte convocada pelo presidente, marcado para o próximo dia 16. Os dois grupos alegam que o processo de reformulação da Constituição iniciado pelo governo é ilegal, pois caberia à população decidir se quer uma nova Carta Magna, sendo então necessário consultá-la nas urnas, como fez Hugo Chávez em 1999. O movimento coincidiu com o 100º dia de protestos contra Maduro nas ruas.

Representantes chavistas se pronunciaram numa entrevista coletiva e propuseram mudanças nas perguntas que a oposição deseja fazer na votação do próximo fim de semana, já declarada ilegal pelo governo. Reunido na Associação de Moradores de Santa Rosa de Lima, em Caracas, o grupo incluía o deputado German Ferrer, do governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV); o deputado Eustoquio Contreras; a ex-defensora do Povo Gabriela Ramírez; e o cientista político Nicmar Evans.

— Nós como movimento chavista exigimos que se convoque o povo e convidamos a que se proceda a esse propósito de restituir a Constituição e rechaçar a Constituinte — disse Ferrer.

Ele aproveitou para denunciar medidas iminentes contra sua mulher, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, que se tornou uma das maiores críticas de Maduro dentro do chavismo ao opor-se à convocação da Constituinte e criticar a violenta repressão aos protestos, que já deixou mais de 90 mortes. Por causa de sua postura, Ortega Díaz virou alvo da ira do núcleo do governo, e há rumores de que o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), alinhado ao regime, prepara sua destituição.

O primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional (AN), o opositor Freddy Guevara, assegurou ontem que vai se reunir com o grupo de chavistas dissidentes para ouvir suas propostas.

— A salvação da República depende de nossa união — justificou o dirigente do partido Vontade Popular (VP), na manifestação que celebrou os cem dias de protestos contra Maduro em Caracas.

Ontem, a Mesa de Unidade Democrática (MUD), coalizão de partidos de oposição, anunciou que habilitará pelo menos 1.933 pontos de votação para o plebiscito do próximo fim de semana.

TINTORI NEGA TER HAVIDO NEGOCIAÇÃO SOBRE LÓPEZ

Na noite de sábado, a Procuradoria-Geral pediu que sejam revisadas medidas cautelares a favor de três opositores presos. Os beneficiados seriam os ex-prefeitos Antonio Ledezma, de Caracas, e Daniel Ceballos, de San Cristóbal, e o ativista Lorent Gómez Saleh. A iniciativa do Ministério Público veio logo após a saída da prisão do líder do VP, Leopoldo López, na madrugada de sábado, para cumprir pena domiciliar após três anos e cinco meses preso, autorizada pelo TSJ. Ontem, a mulher de López, Lilian Tintori, negou que o líder opositor tenha negociado sua libertação. Segundo ela, foi uma decisão unilateral do governo e do TSJ.

— Não houve negociação para que Leopoldo esteja em casa. Não se negocia a liberdade, os direitos humanos, a dignidade, jamais — declarou Tintori à imprensa.

Segundo ela, que participou dos protestos ontem em Caracas, nos últimos dias na prisão López perdeu seis quilos, teve sérios problemas estomacais e recebeu tratamentos cruéis e desumanos. Tintori reconheceu que os dirigentes chavistas Delcy Rodríguez — ex-chanceler de Maduro — e Jorge Rodríguez lideraram a comitiva que conseguiu a saída da prisão do mais emblemático dos 431 presos políticos que a oposição contabiliza na Venezuela.

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